Sucesso no cinema, ‘A Mosca’ vira ópera em Paris

Sucesso nos cinemas dos anos 50, The Fly, A Mosca virou ópera em Paris, na França. Na quarta-feira, o canadense David Cronenberg, um dos cinco diretores que adaptaram o texto original do escritor franco-britânico George Langelaan para o cinema, estreou a história em nova versão: a ópera. Com direção musical de Plácido Domingo e música de Howard Shore, estreante no gênero, mas com bagagem de 60 trilhas sonoras, entre elas a da trilogia de O Senhor dos Anéis, a obra foi exibida no Teatro de Chatêlet, em Paris.

Adaptado ao cinema em 1958 por Kurt Neumann, a versão tornou-se um clássico. Seu orçamento consumiu US$ 500 mil, seus efeitos visuais eram inéditos e de alta qualidade, seus cenários, inovadores e hi-tech. O objetivo era contar a história de Seth Brundle, físico excêntrico, gênio e louco, que abandonara a academia para se dedicar à criação de um sistema de teletransporte. Mas, ao se submeter ao teletransporte, o cientista tem seu DNA geneticamente fundido com o de uma mosca que, acidentalmente, se imiscui na cápsula. Na versão original, de Neumann, Brundle deixa a câmara como um híbrido de homem e monstro. O que se sucede é um misto de drama filosófico e thriller policial.

Em 1986, coube ao controverso diretor canadense David Cronenberg reconquistar a crítica com a quarta versão do cult – a segunda, Return of the Fly (1959), de Edward Berns, e a terceira, The Curse of the Fly (1965), de Don Sharp, haviam fracassado. Fiel ao roteiro original, a nova versão aprofundava o ‘fundamento teórico’ da história de Langelaan sobre o cientista. O ponto dramático – e trash -, a mutação, ganhou em realismo. A degradação física do protagonista Seth Brundle, representada de forma quase escatológica, fomenta o horror – e, para muitos, o mau gosto.

Essa atmosfera B está presente na ópera The Fly – La Mouche, em Paris. A peça tem início no fim da história, quando a jornalista Veronica Quaife relata as circunstâncias da morte de Brundle a um investigador de polícia. Namorada do cientista, ela carrega no ventre o filho de Brundle-Fly. A cena se passa no loft e laboratório do cientista, já degradado pela destruição e pelo lixo gerado pelo homem-mosca antes de sua morte. Em flash-back, o primeiro ato da ópera remonta até a festa na qual Brundle e Veronica se conheceram. Dali, seduzida pelo charme e mistério que envolve o gênio, a jornalista aceita o convite para ir ao seu apartamento, onde as cápsulas de teletransporte e computadores estão instalados. Quem viu o filme o identifica em sua íntegra com a ópera.

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