Quando o ator Sérgio Cardoso morreu, em 1972, a novela O Primeiro Amor estava no capítulo 200, a apenas 27 do final, e Cardoso era, ninguém menos, do que o mocinho da trama. Sem opção, o autor, Walther Negrão, teve de substituí-lo às pressas e elencou Leonardo Villar para o papel.

Quase 40 anos depois, a TV americana ainda não sabia o que era perder tragicamente um protagonista em plena realização de uma obra. Mas, no ano passado, coube ao roteirista Steven S. DeKnight (de Smallville, Buffy e Angel) a delicada missão de escalar um novo herói para sua série, Spartacus, após a precoce morte do protagonista, Andy Whitfield, aos 39 anos, em consequência de um linfoma não-Hodgkin. E é no próximo sábado que os fãs da série no Brasil vão conferir (na Globosat HD, às 22 h) a 2.ª temporada da trama épica, Spartacus: Vengeance, com o australiano Liam McIntyre – dez anos mais jovem do que Andy – no papel do histórico gladiador que liderou a revolta dos escravos contra a República Romana, de 73 a.C. a 71 a.C.

“Quando soubemos do diagnóstico de Andy (em março de 2010), discutimos muito se deveríamos ou não continuar”, disse DeKnight ao Estado, em coletiva para a imprensa internacional, por telefone.

Segundo o roteirista e criador da série, ficou decidido que esperariam a recuperação do ator e, até por isso, partiram para a produção do prelúdio Spartacus: Gods of the Arena, com seis episódios sobre o passado do vilão Batiatus (John Hannah). No fim das gravações, porém, Andy descobriu que seu câncer havia retornado, e preferiu se afastar permanentemente da série.

“O fator decisivo, para mim, foi Andy pedir que continuássemos o show e nos dar bênção para escalar outro ator. Continuar a série é honrar a memória dele”, lembra DeKnight.

Andy morreu em setembro passado, mas não sem antes encorajar seu substituto. “Ele me incentivou a fazer o meu melhor”, contou McIntyre, conhecido na TV americana por outro papel épico, o do capitão Lew, da série The Pacific (HBO). “Sei que vão comparar nosso trabalho, e uma parte de mim teme não corresponder às expectativas. Mas tenho trabalhado mais do que nunca e sei o peso dessa responsabilidade”, disse o ator.

Com uma nova alma para o herói, a equipe de roteiristas decidiu não mudar o personagem, e embora lembre Andy fisicamente, McIntyre garante que não tenta imitar o ator – o que, segundo colegas de elenco, foi crucial para que ele ficasse com o papel, após testes com diversos atores pelo mundo.

“Se copiasse os gestos ou a voz ou qualquer performance do Andy, o personagem ficaria sem alma”, diz McIntyre. “Percebi que o que me fazia torcer pelo personagem era a humanidade que Andy deu a ele, tornando-o convincente. Se eu captasse esse espírito, poderia juntar o Spartacus dele com o meu.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.