Para os fãs de Amy Winehouse parece até antipático e arrogante dizer que Janelle Monáe e Mayer Howthorne fizeram shows com mais garra do que ela. Mas foi o que aconteceu em Florianópolis anteontem, dentro do Summer Soul Festival. Desconhecidos da maioria, os cantores americanos conquistaram o público sem grande dificuldade, com um repertório de canções cativantes à primeira audição e um meio hit cada um. E sem os altos e baixos da estrela da noite.

Janelle tem uma presença magnética em cena e, ao contrário da paradona Amy, só sossegou quando cantou a balada “Smile”, de Charlie Chaplin, um momento um tanto infeliz do show. No mais, protagonizou uma performance frenética, intensa, misturando teatro, dança, pantomima, videoarte, um pouco de circo e artes plásticas – no momento mais esquisito do show ela pinta a silhueta de uma mulher nua, de costas, numa pequena tela sustentada por um cavalete.

Um vídeo com ela falando o texto de introdução de “The ArchAndroid” (seu incensado álbum presente nas principais listas de melhores de 2010 e serviu de base ao show), preparou a entrada de Janelle, que apareceu coberta por uma capa e um enorme capuz preto, como as duas dançarinas que a acompanham. O aviso foi dado: “Dance or die.” E ela não estava ali para morrer, mas para “matar”, como encenou com as bailarinas e com a plateia mais adiante.

A referência a Michael Jackson já veio com a execução de “I Want You Back”, do Jackson 5, tocada antes de o MC convocar a plateia a recebê-la com muito barulho. Mais adiante, além de impressionar com a potência da voz, Janelle fez o público urrar ao recriar os famosos passos de Michael, o moon Walk. Fã de ficção científica, Janelle trouxe vídeos futuristas, incluindo trechos do clássico filme Metropolis, de Fritz Lang, que inspirou seu álbum de 2008. Os fãs vibraram com “Wondaland” e o hit “Tightrope”, que encerrou o show em grande estilo, apoteótico.

Como Janelle, Mayer Hawthorne é um artista completo. Bom cantor, músico criativo, performer carismático – além de atuar como produtor, DJ e engenheiro de som -, multi-instrumentista e compositor. Mayer deu ênfase às canções de seu bom álbum “A Strange Arrangement”, que acaba de ser lançado no Brasil. Como Janelle, ele também já entrou arrebentando, com “Your Easy Lovin’ Ain’t Pleasing Nothin'”. Seu estilo soul de branco, como o de Amy, soa retrô, o dele com mais fortes referências aos standards da lendária gravadora Motown, como mostra nas ótimas “Make Her Mine”, “Let Me Know”, “Mr. Blue Sky” e “The Ills”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.