Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
A atriz diz que sua atual personagem, a Solange, é o
seu oposto, por isso interpretá-la
foi um desafio que a fez crescer profissionalmente.

É sempre delicado para uma jovem atriz recusar papéis. Pior do que isso, é ter de interpretar um personagem que vai contra todos os seus princípios. E foi justamente isso que aconteceu com Sheron Menezes, a Solange de Duas Caras da Globo. A atriz sempre defendeu as causas negras e orgulha-se por ser quem é, totalmente o oposto de sua atual personagem. Mesmo sabendo que Solange teria uma conduta radicalmente diferente da sua, Sheron resolveu aceitar o papel pela abordagem que ele teria, além de acreditar em seu próprio amadurecimento profissional. ?Ela não se assume como negra e favelada e acho essa abordagem extremamente pertinente. Por outro lado, acho absolutamente normal ela ser desse jeito. Não era a realidade dela?, afirma.

No início da trama, Sheron assume que tinha receio do público criticar sua personagem por ser tão preconceituosa. Mas isso não ocorreu. ?Eu não esperava essa aceitação. O público gostou dela mesmo sendo chata e metida. Ela assumiu um lado do humor e isso amenizou a situação?, argumenta. Mesmo tendo quatro novelas no currículo, a atriz acredita que Solange foi a responsável por seu maior reconhecimento como atriz. ?Sem dúvida é um papel de maior destaque, onde as pessoas falam mais do meu trabalho. Ela tem um apelo maior para o público?, afirma.

Para dar vida à patricinha da trama das oito, a principal mudança que Sheron encarou foi no visual. Em todos os trabalhos anteriores foi vista com seus cabelos ao natural. Agora, se entregou à escova para compor a personagem, mas garante que prefere usar os cabelos cacheados. ?Se não fosse pelo papel, nunca teria alisado meu cabelo. Mas, de certa forma, foi um jeito de me realizar como mulher, de me ver de outra forma?, defende.

Quando terminou de gravar Belíssima, em 2006, Sheron continuou a fazer testes para outros personagens. Foi quando surgiu a oportunidade para Duas Caras. Curiosamente, a atriz estava pronta para concorrer com outras atrizes para o papel de Andréa Bijou – interpretado por Débora Nascimento. A personagem Solange estava reservada para Taís Araújo, que por conta de outros trabalhos, desistiu do papel. ?Para minha alegria fui convidada para fazer a Solange. Foi uma surpresa?, relembra. Além de conseguir o papel, Sheron orgulha-se de trabalhar ao lado de grandes atores como Antônio Fagundes. ?O Fagundes me acolheu muito bem, me deixou super à vontade?, conta.

Com a trama chegando ao final, a atriz acredita que o saldo do trabalho tenha sido positivo e que seu papel vá deixar saudades. ?Amei fazer a Solange, só estou triste por estar terminando. Mas acredito que outras coisas tão boas quanto virão?, torce. Quanto a Solange, a atriz está convicta de que o autor conseguiu mostrar efetivamente as duas caras da filha de Juvenal Antena. ?O Aguinaldo mostrou isso totalmente. Um lado briguenta e marrenta e outro amorosa com o namorado Claudios e com a amiga Gislaine?, confirma.

Completando sete anos de carreira na tevê, Sheron afirma que todos os seus trabalhos serviram para que ela pudesse se aperfeiçoar como profissional e como pessoa. ?Tudo mudou desde minha estréia. Era uma menina e agora me transformei numa mulher segura, com objetivos?, valoriza.

O início da estrada

Foi aos 13 anos, quando já trabalhava como modelo, que Sheron Menezes decidiu virar atriz e entrar em cursos de interpretação. Ela se mudou de Porto Alegre, cidade natal, para o Rio de Janeiro e não parou mais de trabalhar. ?Comecei a fazer teatro e adorei. Quando criança queria ser psicóloga. Ainda tenho um sonho de fazer faculdade de Psicologia?, conta. Depois de alguns trabalhos em publicidade na tevê, começou a fazer seus primeiros testes para a Globo. ?Tentei quatro anos até conseguir entrar para a emissora. Estreei aos 18?, orgulha-se.

Depois de muita tentativa, a atriz finalmente conseguiu seu primeiro papel em Esperança, em 2002. Mais tarde, fez Celebridade, interpretando a jovem Iara, em 2004, o que lhe rendeu uma personagem maior em Como uma onda, em 2005. A Rosário da trama das seis foi sua personagem mais marcante até então. ?Ela era a minha cara: romântica e meiga?, valoriza. Para Belíssima foi um pulo, onde trabalhou como a empregada Guiomar. Em relação a todos os seus trabalhos até agora, a gaúcha diz não ter nenhum preferido. ?Todos foram ótimos papéis e cada um foi diferente do outro?.

Instantâneas

# Engajada, Sheron Menezes atua em um projeto do governo federal chamado Quilombo Axé. A iniciativa realiza intercâmbio cultural entre artistas e populações negras urbanas e rurais pelo país.

# Com a mãe Vera Lúcia, a atriz lançou o livro infantil Princesa Violeta, que conta a história de uma princesa negra. ?Quando criança, gostava da Cinderela, mas ela era loura, então eu não podia ser uma princesa. Com o livro, as crianças negras já vão poder ser princesas?, defende.

# Sheron concilia a gravação de Duas Caras com a faculdade de Artes Cênicas.

# A atriz começa a gravar no próximo mês um longa chamado O Inventor de Sonhos, do diretor Ricardo Annenberg. Sheron já havia feito uma participação em O Homem que Copiava, mas só agora vai rodar um filme inteiro.