As intrigas de “Dallas”, uma das séries mais célebres da história da televisão, voltam à tona com uma versão que destaca a presença de atores da versão original, como Larry Hagman (J.R.), Patrick Duffy (Bobby) e Linda Gray (Sue Ellen), e também personagens inéditos.

A série, que estrou neste mês nos Estados Unidos, volta a focar novamente as intrigas e as disputas dentro do clã familiar texano dos Ewing, que retorna repleto de segredos, mentiras e traições, ingredientes que transformaram o rancho de Southfork em um grande clássico da TV.

“É como voltar para casa”, disse Hagman à Agência Efe. “O que me fez voltar foi o prazer de trabalhar novamente com Patrick e Linda. Somos grandes amigos. Desde que a série terminou, sempre saímos para comer juntos”.

“É maravilhoso estar outra vez ao lado dos amigos, com Larry e Linda em frente às câmeras novamente. Sabíamos que nunca mais poderíamos contracenar juntos após ‘Dallas’, já que todas as pessoas nos associavam com os personagens da série. E fico feliz em dizer que esta versão é tão boa ou melhor que a original”, declarou Duffy.

Já Linda explicou que retomar essa trama quase 20 anos depois não foi tão complicado. Isso porque, para ela, “parecia que só havia passado um mês” desde sua conclusão em 1991. A primeira versão de “Dallas” começou a ser transmitida em 1978.

A chave desta nova temporada, rodada com um ritmo narrativo muito superior à antiga versão, reside na nova geração destes magnatas do petróleo (papéis interpretados por Josh Henderson, Jesse Metcalfe, Jordaniana Brewster, Julie Gonzalo, Callard Harris e Brenda Strong), que levam suas ambições e enganos até as últimas consequências.

John Ross (Henderson), o filho de J.R. e Sue Ellen, tenta cavar um poço nas propriedades dos Ewing para obter petróleo, enquanto Christopher (Metcalfe), o filho adotado de Bobby, tenta convencer sua família de que o futuro está nas energias renováveis, uma situação que gera uma clara inimizade entre J.R. e Bobby.

“Amo o personagem de J.R.”, indicou Hagman, que se encontra radiante, apesar da idade avançada e do tratamento contra o câncer. “Ewing nunca foi um estigma em minha vida pessoal, mas afetou minha carreira. Não queriam me contratar porque estava associado demais ao personagem. Mas ganhei dinheiro suficiente e isso não me importa”, brincou.

O sucesso da série original chegou a colocar o ator em difíceis situações na vida real, como ser insultado em público pelas maldades que seu personagem tinha cometido na ficção. Ele próprio também admite que, em algumas ocasiões, não é capaz de destinguir a linha que separa o personagem de ficção da pessoa real.

“Já não sei quando estou fora ou dentro do papel. Não sei quando trabalho e quando não. Já não sei que parte de mim é ele e que parte dele me pertence. Incorporei sua personalidade à minha. Mas, na realidade, isto é o que faço para viver: mentir. Sou um impostor”, completou Hagman, entre risos.

A emissora “TNT” cogitou a possibilidade de lançar uma versão atualizada de “Dallas” durante muitos anos, mas a qualidade das propostas nunca convenceu seus protagonistas. No entanto, com a chegada de Cynthia Cidre, autora do roteiro e produtora executiva da nova série, essa situação começou mudar.

Segundo Duffy, o elenco pensava que, sem a presença do falecido Leonard Katzman, produtor executivo, “cérebro e coração” da série original, não havia razão para retomar o projeto porque ninguém poderia emular aquele espírito. “Nunca pensei que isto fosse acontecer”, admitiu Duffy.

Ao longo da nova versão de “Dallas”, aparecerão outros atores que participaram do original, como Ken Kerchavel, Steve Kanaly e Charlene Tilton.

“Essa série será diferente. Mas sentimos que há alicerces sólidos e capazes de atrair novamente as pessoas. Estamos cômodos nos papéis, e as pessoas vão se encantar ao conhecer o resto da família. Tenho certeza de que as pessoas vão se entusiasmar com esta nova série”, concluiu Linda.