Celso Portiolli trabalhará
ao lado de equipes do México,
Chile, Equador e EUA.

Desde o final do ano passado, o apresentador Celso Portiolli carrega para todo lado um pequeno bloco de papel. Nele, anotava cada um dos itens indispensáveis para uma estada de 60 dias na Patagônia, no Sul da Argentina, para onde embarcou esta semana. Ele está ansioso com as gravações do “reality-show” do SBT “O Conquistador do Fim do Mundo”, sua primeira experiência num programa inteiramente fora dos estúdios.

Celso não queria esquecer nada que pudesse ajudá-lo a enfrentar as montanhas geladas e a neve da região. “Nunca fiz uma viagem tão longa assim. E o formato é inédito”, valoriza, com ares de criança animada. Na bagagem, fotos dos dois filhos, Laura e Pedro Henrique, e uma câmara de vídeo digital, com a qual o apresentador vai produzir matérias para os demais programas do SBT.

Desde 1993 na emissora, onde atualmente comanda o “Curtindo uma Viagem”, Celso considera a sua escolha para a apresentação do “reality-show” um grande “voto de confiança”. Produção da hispano-argentina Promofilm, o programa vai ser exibido simultaneamente no Brasil, Chile, Equador, México e Estados Unidos, com 12 representantes de cada país. “Cada emissora escolheu um apresentador que mais se identificasse com o público do País e com o espírito do programa”, destaca, orgulhoso.

P – Até que ponto você acha possível imprimir uma “cara brasileira” ao programa?

R – Esta é a grande preocupação da emissora: o programa tem de ter a cara do Brasil, a cara do SBT. Eu vou apresentar do meu jeito, o jeito que todo o público já conhece dos meus programas. O espectador não pode ligar no programa e ver um Celso diferente do que está acostumado a ver. Além disso, o roteiro, a edição e a supervisão vão ser feitos por brasileiros. Meu papel nisso tudo vai ser grande, porque estas são coisas de que eu sempre cuidei no “Curtindo uma Viagem”. Eu faço desde mecânica de prova até edição. Então, vou sugerir muitas coisas. É claro que não mando nada, sou apenas um soldado a mais, mas vamos imprimir nossa cara ao programa.

P – Você já sabe como vai ser a rotina do trabalho?

R – Não sei nada ainda. Os produtores estão com muito cuidado para que não vaze a mecânica da competição. Há um mistério muito grande em torno de tudo. Eu sei que eles têm uma verdadeira “bíblia” do programa, com umas 200 páginas, mas só vou receber no início das gravações. Não sei nem mesmo se vou ficar num hotel ou no acampamento com os participantes. Gostaria muito de poder acompanhar o dia-a-dia deles, produzir matérias especiais, mas ainda não sei se a produção vai liberar.

P – Como você avalia a importância do projeto, que envolve profissionais de cinco países diferentes?

R – É uma experiência única, a primeira vez no mundo que vão fazer um projeto deste tipo. Para mim, então, vai ser fantástico, pelo contato com os apresentadores e produtores dos outros países. Eu sou muito curioso, gosto de aprender coisas novas. E acho que estou atualizando de forma importante a minha carreira, porque o mundo todo está caminhando na direção dos programas de realidade.

P – Com tantos “reality-shows” na tevê brasileira, o que você acha que “O Conquistador do Fim do Mundo” pode trazer de novo?

R – Geralmente, neste tipo de programa, você torce para um ou outro em função de simpatias pessoais. Neste caso, o programa envolve a pátria, o sentimento da nacionalidade. Espero que isso crie uma comoção grande. Ainda mais num momento como este, em que as pessoas estão esperançosas com as mudanças, com o novo governo… Nós pretendemos desenvolver nos brasileiros a vontade de ver o Brasil vencer.

P – Você acompanhou a seleção dos participantes brasileiros? Qual a sua expectativa em relação a eles?

R – Eu assisti às fitas de boa parte dos 22 mil inscritos, estava no Ibirapuera no dia em que os 120 finalistas passaram pelas provas finais, gravei entrevistas com alguns deles. Eu não palpitei, mas acompanhei tudo bem de perto. O que me surpreendeu foi a força e a resistência das mulheres. Tem gente ali muito treinada, que está com muita vontade de vencer. Acho que a “mulherada” vai dar trabalho para os estrangeiros.