São Paulo

– Um homem elegante mas… muito marrento. Esta é a aposta do estilista Ricardo Almeida – que abriu a São Paulo Fashion Week ontem, no Pavilhão da Bienal no Ibirapuera. Na passarela, looks monocromáticos, preto, golas altas e modelagens justas. E mais: Rodrigo Santoro desfilando e até uma cobra (viva e solta!) e um doberman (com focinheira, claro). Sim, o cão foi a inspiração de Ricardo Almeida para sua coleção: elegante, de preto e dá um certo medo.

O preto é a cor da coleção, mas ainda há branco, roxo, risca-de-giz e jeans. A alfaiataria é a base, mas desta vez o estilista do presidente também apostou no casual – com jaquetas de couro com zíperes laterais e também nas costas, bolsos múltiplos e coletes. Além das fibras sintéticas, usou couro e veludo. As modelagens são sempre justas e alguns dos blazers têm golas japonesas. E mantôs, muitos. Para serem usados junto com os ternos ou nos looks mais esportivos. Na platéia, entre outros, Supla, Maria Paula, João Suplicy, Marcos Mion, Paulo Ricardo, Marcos Pasquim e Luigi Baricelli. E anônimas, responsáveis por muitos “fius-fius” nas entradas de Santoro.

Depois de Ricardo Almeida, foi a vez do mineiro Renato Loureiro levar animais para a passarela: desta vez, foram dois cavalos que deram o ar da graça na apresentação de sua coleção inverno. Isso porque o tema sobre o qual Renato trabalhou foi o mundo da equitação. Das esportistas às madames.

Assim, a coleção apresenta calças justas que remetem a uniformes de jóqueis – sempre usadas com botas baixas e cano alto – a looks mais vaporosos, como calças finas e largas e vestidos. Os tons são sempre próximos do areia e do terra, mas o rosa pálido tem papel chave na coleção, colorindo e dando brilho. As calças justas são usadas com camisas pólo delicadas e, vez por outra, com boleros micros. As saias são de pregas, os comprimentos, abaixo do joelho. Os vestidos em patchwork são opção para noite e os casaquinhos com brilho podem ser usados com as calças de montaria ou com as saias.

Pernas

A terceira coleção da Carlota Joakina assinada por Pedro Lourenço – o filho-prodígio de Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço – é feita para quem tem pernas. Porque os comprimentos são pra lá de curtos. E as calças? Completamente justas, longas, até demais. Mas o invés de bainhas, suas barras se transformam quase em polainas! O look justo é quase sempre preto, com tops igualmente colantes e golas altas. Algumas são de materiais mais encorpados, como couro.

A coleção, para o jovem estilista, é o “desestruturado/reestruturado”. Como assim? Explica-se: é como se um minivestido fosse completamente recortado mas, depois, costurado novamente. Ficam as costuras aparentes, quase sempre da mesma cor. Calças são feitas com superposições de tiras. Ombreiras do lado de fora são costuradas às mangas. Barras dos micro-vestidos estão prestes a ser destacadas.

Saindo do preto-total, o verde quase militar e também o azul. E, fechando o desfile, o branco. Que surge em vestidos menos secos, com musseline e faixas soltas. Botões, são muitos: nas barras e laterais. O toque “princesa futurista” é sutil: aparece nas palas e finalizações. Tudo em algodão, lã e tecnológicos, além dos já citados couro e musseline. Ao som de I?m Waiting for my Man, do Velvet Underground e com Elettra Rossellini, filha de Isabela e neta de Ingrid Bergman, na passarela. Na seqüência, Gisele Bündchen desfilaria pela Zoomp, a Ellus mostraria sua coleção masculina e a Triton de Tufi Duek encerraria em clima jovem.