Um dos maiores fenômenos da literatura infanto-juvenil e que rendeu uma franquia lucrativa nos cinemas chegou ao fim. O bruxo Harry Potter encerra sua jornada nas telonas com a segunda parte de “As relíquias da morte”. Finalmente os fãs poderão ver a batalha final entre Potter e seu nêmesis, o senhor das trevas Lorde Voldemort e ver o desfecho dos personagens que aprenderam a gostar ou odiar enquanto cresciam.

Se os primeiros filmes foram vacilantes, os últimos, ao contrário, foram empolgantes. Felizmente, a segunda parte de As relíquias da morte seguiu esta tendência. Graças ao ótimo trabalho realizado com a primeira parte, que mostra ao público todos os detalhes para entender o seu desfecho, o segundo trabalho foca-se mais nos combates, fazendo com que este seja o filme com mais cenas de ação e também o mais curto, pois ele não tem tempo para lengas-lengas e vai logo ao que interessa.

É interessante ver o quanto Harry Potter amadureceu ao longo de suas aventuras. Se no começo ele era apenas uma criança que gosta da fama de ter sido o único sobrevivente da magia proibida “Avada Kedavra” (se você não sabe do que se trata, nem passe perto deste filme) e de se sentir “invencível”, agora o bruxo é um jovem que sente todo o peso do mundo da responsabilidade a que foi incumbido. Como qualquer outra pessoa, ele vacila, fraqueja, mas se enche de brio para seguir adiante graças a esperança de livrar o mundo do mal e de contar sempre com a fidelidade de seus amigos.

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O ator Daniel Radcliffe no primeiro filme da saga (esquerda) e na película derradeira (direita).

Para que isso seja sentido pelo espectador, foi fundamental contar com o talento de Daniel Radcliffe para dar vida ao protagonista. O ator mostrou que sabe atuar e está pronto para novos desafios em sua carreira. Por exemplo, a cena em que ele se despede de seu interesse romântico é tocante, pois ele está ciente que aquela pode ser a última vez em que se encontram. Emma Watson e Rupert Grint, que dão vida a Ermione e Ron, respectivamente, também mostram talento e química em cena, pois é preciso acreditar que o romance entre os dois funcione.

Se o núcleo dos mocinhos funciona, o mesmo ocorre com os vilões. A presença de Ralph Fiennes como Voldemort é sempre aterrorizante. Aliás, graças a isso é que fica possível ver como Potter cresce como pessoa, pois se o “grande mal” não surgisse de forma perigosa, isso não aconteceria. Jason Isaacs, como Lucius Malfoy, impressiona pelo fato de perder a imponência de outrora para se tornar uma figura decadente, tanto em status como na aparência.

Alan Rickman, com seu ambíguo Severo Snape, também tem uma atuação de gala. Todos os seus movimentos, como um simples ato de falar, parece ser devidamente calculado para que tudo esteja em seu lugar. Aliás, seu destino surge também como uma das cenas mais tristes de toda a série. Mesmo fazendo jus ao seu nome, ele também mostra um lado sensível e humano.

Contando apenas com algumas pequenas falhas (o combate final poderia ser melhor aproveitado), As relíquias da morte parte dois tem tudo para agradar os fãs dos livros e dos filmes ao dar um belo desfecho a um dos maiores hypes das últimas décadas. Resta saber qual será o próximo projeto da autora J.K.Rowlings para não deixar os fãs dos bruxos de Hogwarts órfãos.

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