Fotos: Allan Costa Pinto
Os bailarinos, coreografados por Luiz Fernando Bongiovanni, tiveram nove meses de preparação e muito ensaio. A peça escrita por Willian Shakespeare estréia nesta quarta-feira.

Depois de nove meses de preparação e muitos ensaios, o grupo de Balé Teatro Guaíra estréia, no próximo dia 23, o balé Romeu e Julieta, do compositor russo Sergei Prokofiev. Coreografado pelo bailarino Luiz Fernando Bongiovanni, o espetáculo traz uma inovação para o balé brasileiro, que é a participação da Orquestra Sinfônica do Paraná ao vivo regendo os 33 bailarinos. A obra também traz o contexto contemporâneo para o texto de Willian Shakespeare.

?A orquestra junto com os bailarinos era o padrão, mas com o tempo eles foram se separando. Fora do País essa tradição ainda é conservada?, explicou Bongiovanni. Para o coreógrafo, além de dar mais beleza ao espetáculo, a participação ao vivo dos músicos garante também a presença do público que admira a música. ?Isto precisa ser incentivado porque quem ganha é a platéia?, afirmou.

O projeto para encenar a obra de Prokofiev começou em 2005 por iniciativa da diretora do Balé Teatro Guaíra, Carla Reinecke. Bongiovanni trabalhou muitos anos fora do Brasil e lembra que veio da Suécia sua inspiração para trazer elementos atuais para a obra. ?Minha contribuição principal neste sentindo está no movimento. E o espetáculo tem um viés crítico, que passa pelo humor?, contou. Entre as críticas inseridas pelo coreógrafo está a pasteurização da sociedade. ?Shakespeare mostra muito isso na cena do baile, no primeiro ato?, lembrou.

A versão do balé também traz as bruxas da obra Macbeth, também de Shakespeare. Apesar de não existirem em Romeu e Julieta, Bongiovanni explica que as bruxas representam o destino. ?E isso está muito presente em todas as obras de Shakespeare, como quando Romeu se perde na estrada por causa de 15 minutos?, contou. As três Parcas, como são chamadas, entram diversas vezes em cena.

Cenário

O cenário e a iluminação da peça também seguiram o conceito contemporâneo ao serem elaborados. É o que explica o cenógrafo Cleverson Cavalheiros, que trabalhou em parceira com o Carlos Kur. ?O Luiz (Bongiovanni) pediu algo sem data. Isso ampliou ainda mais nossa pesquisa, já que tínhamos que usar exemplos de várias correntes. Usamos desde o romântico até o atual?, afirmou. O cenário, que pesa cerca de 5 toneladas, valoriza o metal.

O cenário é vultoso, mas fácil de ser manejado pelos atores em cena. ?Queríamos algo como a imponência do espetáculo, mas ao mesmo tempo leve, que pudesse ser montado em cena e que permitisse a interação com o bailarino?, contou. Cavalheiros pôde testar o cenário antes dos ensaios no teatro. ?Montamos no barracão do Guaíra, nas dimensões reais do palco, e isso é inédito. Assim pudemos trabalhar e adaptá-lo antes de vir para o teatro?, afirmou.

O figurino também tem essa mistura do épico com o contemporâneo. ?É o tradicional com a lente de hoje?, resume o figurinista Paulinho Maia. Ele conta que optou por roupas dupla face para facilitar a troca pelos bailarinos. Boa parte das cerca de 200 peças estão prontas. No entanto, os produtores ainda estão definindo cores para que o público possa identificar os grupos rivais sem que os personagens tenham que usar roupas muito diferenciadas.

Serviço

Romeu e Julieta – Balé Teatro Guaíra e Orquestra Sinfônica do Paraná. Local: Grande Auditório do Centro Cultural Teatro Guaíra.

Data: estréia 23 de abril. Horário: 20h30, de 23 a 26 de abril, e de 1 a 3 de maio também às 20h30, 4 de maio às 18h.

Ingressos: R$ 30,00 (platéia) e R$ 20,00 (1.º e 2.º balcões) – venda antecipada até o dia anterior ao espetáculo, R$ 40,00 (platéia) e R$ 30,00 (1.º e 2.º balcões) – no dia do espetáculo. Obs.: dia 24 de abril e 1.º maio o preço será de R$ 10,00 e R$ 5,00 (1.º e 2.º balcões) porque a apresentação será realizada sem a orquestra e dia 27 de abril – dentro projeto do Teatro para o Povo – a entrada será franca.