A São Paulo Fashion Week se deslocou até o Museu da Imigração, na Mooca, nesta segunda, 23, para o desfile da UMA de Raquel Davidowicz. Inspirada nos refugiados, a estilista não podia ter escolhido lugar melhor. O prédio, que servia de hospedaria para os imigrantes no século 19, foi um palco perfeito para as peças com referências aos nômades apresentadas por modelos com traços miscigenados do Brasil.

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A coleção trouxe botas pesadas, casacos leves e tricôs confortáveis, transmitindo a ideia da andarilha moderna. “Pensei na roupa do nômade, do viajante, que precisa de bolsos utilitários e cachecóis para se proteger do frio”, diz Raquel. “Mas tentei fugir de estereótipos e tomei cuidado para não esbarrar na apropriação cultural.”

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Nos bastidores, um painel descrevia a ascendência de cada uma das modelos, enquanto na plateia Emma Ferrer, neta da atriz Audrey Hepburn e embaixadora da ONU em causa de defesa dos refugiados, lembrava da ação da marca em parceria com a ONG Braço Cultural, que capacita estrangeiros no País.

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Questões sociais, aliás, estão na ordem do dia para marcas de moda que buscam relevância. Olhando para o ativismo ambiental, por exemplo, a Osklen mostrou sua coleção Asap (As Sustainable As Possible – tão sustentável quanto possível, em tradução livre) focada em materiais sustentáveis para um guarda-roupa contemporâneo. O assunto não é novidade na história da marca, que lançou sua primeira peça orgânica, uma camiseta de malha de cânhamo, há 20 anos.

Na passarela, básicos executados com primor, como suéteres e vestidos em malha, faziam um contraste interessante com acessórios mais luxuosos, com bordados e texturas. Casacões em estilo militar, blusas de tricô de seda e calçados felpudos com sola de borracha reciclada remetiam a deslocamento, reforçando o tom nômade do dia. “Você tem que ter clássicos impecáveis e poucos e bons itens de design. Isso é o guarda-roupa contemporâneo”, afirma o estilista Oskar Metsavaht.