Uma das mais renomadas harpistas do Brasil vai se apresentar hoje em Curitiba, no Teatro da Caixa. A musicista carioca Cristina Braga, que também é solista da Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, vai apresentar um show solo, reunindo o que há de melhor da música clássica e da música popular brasileira (MPB).
Ela diz que essa mistura é uma referência a sua trajetória musical, que iniciou na música ainda na adolescência. “Comecei tocando os dois estilos. Sempre tive atração pela música clássica, mas sentia a falta de poder improvisar, o que já é comum na música popular. Naturalmente, acabei me especializando nessas duas vertentes”, conta.
Quem não está familiarizado com o trabalho da harpista pode estranhar, em um primeiro momento, reunir dois gêneros musicais distintos, entretanto, ela garante que é possível reunir o popular e o erudito em uma mesma apresentação.
“A música é uma coisa só. Acredito piamente que o que é popular hoje pode se tornar clássico amanhã. Os dois estilos convivem harmoniosamente e o público gosta de ver uma combinação de ambos”, revela.
O recital vai ser dividido em duas partes: a primeira será voltada para temas clássicos enquanto a segunda vai contar com músicas de grandes artistas brasileiros.
“A apresentação será para todos os gostos. Quem aprecia mais música clássica, vai poder apreciar obras de Johann Sebastian Bach, Claude Debussy, Heitor Villa-Lobos, entre outros. As pessoas que têm preferência por MPB, poderão como acompanhar Retrato em branco e preto, de Chico Buarque e Tom Jobim; Disparada de Geraldo Vandré e Théo de Barros; Pedaço de mim, de Chico Buarque; além de uma música própria: Bem e mal, composta por Cristina com Ricardo Medeiros e Maria Teresa Moreira”, revela.
Ela diz ainda que já contribui com diversos artistas brasileiros dos mais diversos gêneros musicais. “Já acompanhei Moreira da Silva, Nara Leão, Titãs, Ana Carolina, Zizi Possi, Zeca Baleiro, entre outros. Gosto de poder trabalhar com todo esse ecletismo”, garante.
A harpista comenta que está feliz em voltar a tocar na capital paranaense, cidade que revela ter uma certa paixão. “É sempre uma alegria retornar para Curitiba. Já estive aí em cinco oportunidades, mas essa será a primeira vez em que farei uma apresentação solo. Acho o público curitibano maravilhoso, que sempre demonstrou apreciar música”, derrete-se.
Harpa
Instrumento pouco usual, a harpa, segundo a musicista, é um dos mais antigos que se tem notícias. “A harpa data dos tempos da Mesopotâmia, onde hoje se localiza o Iraque. Foi encontrado desenhos do instrumento na tumba do faraó Ramsés III, o que daria então aproximadamente cinco mil anos de sua criação. Além de sua história, a sua melodia é apaixonante, tanto é que desde a primeira vez em que tive contato com a harpa, decidi ser uma artista”, revela.
A harpa com pedais só foi aparecer em meados do século XVIII, possivelmente no ano de 1720, e aperfeiçoada quase 100 anos depois pelo francês Sébastien Érard, em 1810. As harpas de hoje contam com 47 cordas paralelas e sete pedais, sendo quatro do pé direito e três do pé esquerdo e tem a extensão de seis oitavas.
Serviço
Show de Cristina Braga, da série Solo Música. Hoje, as 20h30, no Teatro da Caixa (Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro). Ingressos à venda no local, a R$ 10 (inteira). Informações: 2118-5111.


