Vindos de um clã cuja figura principal foi o terror das autoridades dos EUA do século passado, os protagonistas de “The Capones” estão longe de meter medo em alguém. Herdeiros diretos e indiretos do gângster Al Capone (1899-1947), os participantes do reality que estreia nesta terça-feira, às 20h40, no TLC, tentam mostrar que são uma família normal. Apesar da expectativa de se ver algo na linha de A Família Soprano, os norte-americanos de ascendência italiana estão mais para filme de Fellini.

Donos de uma pizzaria em Chicago, o mais perto que descendentes do bandido – que controlava bordéis, apostas e o mercado negro de bebida alcoólicas – chegam da máfia é o gosto por armas. Liderados por Dominic Capone, sobrinho-neto de Al, eles passam parte do tempo livre comprando revólveres e dando tiros como hobby. Nos minutos restantes, têm intermináveis discussões abastecidas com lasanha.

Segundo Domini, carregar o nome de um criminoso não resultou em uma experiência ruim ao longo da vida. “Na verdade, o sobrenome mais me ajudou do que atrapalhou. Tive alguns benefícios. Tenho orgulho de tê-lo, pois os Capone que me criaram são boas pessoas. Cresci depois de meu tio-avô ter morrido e as pessoas que me criaram não são bandidas”, defende o empresário.

O norte-americano lista as qualidades herdadas pelo parente famoso. “Lealdade, humildade e respeito pelas pessoas. Eu gosto de dar uma segunda chance aos outros também. E sou daqueles que tira a camisa para dar a alguém que precisa. Eu posso comprar outra”, disse Dom Capone à reportagem, em teleconferência com jornalistas da América Latina.

Mesmo reforçando a ideia de que faz parte de uma família honesta, o empresário afirma manter um espírito de mafioso. “Ainda temos as nossas conexões, que todo mundo espera de um Capone. Se precisarmos de alguma coisa, não me leve a mal, pego o telefone e resolvo. Mas nós trabalhamos no ramo dos restaurantes”, garante.

Com experiência em séries de TV e filmes pouco vistos, o protagonista conta ter aceitado de cara participar de um reality. “Na hora, eu disse: ‘Vamos fazer’. Trabalhei por 18 anos na indústria cinematográfica. Eu gosto de estar diante das câmaras”, gaba-se Dom.

Quando foi ao ar nos Estados Unidos, o programa foi criticado pela comunidade de imigrantes italianos sob a alegação de que não os representava e reforçava estereótipos. “Isso depende. Temos estereótipos porque as pessoas as pessoas tratam as outras assim. Todo mundo tem um estereótipo. Nós somos uma família italiana típica italiana”, esquiva-se Staci Capone, mulher de Dom, que é descendente de filipinos.

A jovem, que coleciona armas em casa, aparece o na maior parte do tempo em discussões acaloradas com a sogra, Dawn, que costuma aparecer na casa do filho sem avisar, deixando a nora com os nervos à flor da pele. “Acho que o programa melhorou a nossa relação. ‘Mamma’ ficou mais calma após ver si mesma gritando na televisão. Agora, ela vem mais tranquila”, assegura. “Minha mãe percebeu como ela é, ficou bem melhor hoje”, complementa Dom.

O líder da família acredita ter o mesmo status de figuras como Don Corleone, papel que se tornou referência de personagem ligado à máfia no cinema. “Eu sou o último Capone homem a nascer na família. De uma certa maneira, eu me sinto o poderoso chefão”, sentencia. Mesmo com o esforço de reforçar as características da origem italiana, ele nunca esteve naquele país. “Irei nas minhas férias.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.