Não existem grandes favoritos para a Palma de Ouro que será entregue hoje à noite no Palais, o palácio do festival, antes da exibição de De-Lovely, com Kevin Kline no papel do compositor Cole Porter, integrando a homenagem aos 80 anos da empresa Metro Goldwyn Mayer. A expectativa dos jornalistas é de que Cannes consagre Diários de Motocicleta, de Walter Salles, que já recebeu ontem o Prêmio François Chalais, atribuído durante o festival pelo Centro Nacional Francês de Cinematografia.

Os quase 15 minutos de ovação que o filme recebeu após a sessão oficial e os elogios de quase toda a crítica -menos a francesa, que se dividiu: Cahiers du Cinéma deu cara feia, o substituto local da bola preta – autorizam o sonho de uma nova Palma de Ouro, 42 anos depois da que Anselmo Duarte recebeu por O Pagador de Promessas, em 1962. Mas há a grande possibilidade de que o júri presidido por Quentin Tarantino resolva tomar posição política e aí a vitória poderá ir para Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, o único filme mais aplaudido do que Diários na sessão oficial.

O presidente Tarantino defendeu o cinema-cinema e ele vibrou com House of Flying Daggers, de Zhang Yimou, que passou fora de concurso). Tarantino pode também, num acesso típico dos diretores de cinema, optar por algo diferente, exótico, inédito, ou seja, escolher o desenho Shrek 2 para a Palma de Ouro e convencer os jurados que seria um incentivo para o mercado de computação gráfica cinematográfico. A questão, agora, é quem vai levar. Com quem ficará a Palma de 2004?

Quentin Tarantino

Mesmo antes do início do Festival de Cannes, a imprensa internacional publicou várias especulações sobre como as preferências pessoais do diretor americano Quentin Tarantino, presidente do júri, poderiam nortear a premiação da Palma de Ouro. Numa entrevista nesta sexta-feira, ele garantiu que a Palma de Ouro irá para o melhor filme que for exibido nesta edição do festival e afirmou que a paixão pelo cinema será o guia do júri, que tem três atrizes, a francesa Emmanuelle Béart, a inglesa Tilda Swinton e a americana Kathleen Turner. A escritora Edwige Danticat, os cineastas Tsui Hark e Jerry Schatzberg, o ator Benoit Poelvoorde e o crítico Peter von Bach.

Shrek 2 bate recordes nos EUA

Exibido com sucesso no Festival de Cannes, onde disputa a Palma de Ouro com 18 outros longas – entre eles o brasileiro Diários de Motocicleta – o desenho animado Shrek 2 já está batendo recordes nos Estados Unidos.

O longa, que entrou em circuito restrito, em caráter de pré-estréia, na quarta-feira, passa nesta sexta a ser exibido em 4.163 salas de cinema no país. Segundo a DreamWorks, esta é a primeira vez que um filme ultrapassa a marca de quatro mil cinemas em sua estréia. O executivo da DreamWorks Jim Tharp disse que o número de cinemas aumentou de cerca de 3.700 na quarta-feira para 4.163 na sexta. No primeiro dia de exibição, a seqüência do filme de sucesso de 2001, já faturou US$ 11,8 milhões, um recorde para um desenho animado. Até agora, a melhor bilheteria de estréia em dia de semana para uma animação era de Pokemon, de 1999, que arrecadou US$ 10,1 milhões numa quarta-feira.

Tharp não quis dar previsões sobre a bilheteria do fim de semana, mas disse que algo em torno de US$ 50 milhões não estaria fora de questão. Se for assim, Shrek 2 já sairá na frente na briga dos “blockbusters” nesse verão americano, ultrapassando os US$ 46,8 milhões de Tróia e podendo igualar os US$ 54 milhões de Van Helsing.

O verão é o melhor período para o cinema nos EUA. A temporada começa no início de maio e dura até o início de setembro e representa cerca de 40 por cento no total de ingressos vendidos ao longo do ano.

Em 2001, o primeiro Shrek arrecadou US$ 267 milhões nas bilheterias americanas e cerca de US$ 455 milhões no mundo.