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Programas regionais podem ser “injeção de criatividade” na TV

  • Por Jornalista Externo

De Norte a Sul, o brasileiro assiste, basicamente, aos mesmos programas. São novelas, minisséries, humorísticos, programas de auditório… Todos, feitos para atingir ampla audiência -acima e apesar das diferenças regionais.

Fora do circuito Rio-São Paulo, principais centros de produção, existem cerca de 300 emissoras locais. Elas retransmitem sinais da Globo, SBT, Band, Record e Rede TV!, mas também têm produção própria – a maioria de maneira tímida. Programas que só são vistos numa área limitada. Mesmo assim, alguns ganham prestígio e popularidade. É o caso, por exemplo, das séries de teledramaturgia da RBS, do Rio Grande do Sul, do programa Na Carona, da TV Bahia, do Atualidades, da TV Morena, de Mato Grosso do Sul, e do jornalístico Terra da Gente, da EPTV, de São Paulo.

A Constituição de 1988 já preconizava a produção regional como “princípio democrático”. Atualmente, tramita no Congresso um projeto de lei da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ) para converter essa intenção constitucional em lei. Se aprovada, as TVs deverão ter, pelo menos, 30% de sua programação produzida na própria região, sendo 5% dedicados exclusivamente à teledramaturgia.

Neste quesito, a RBS está em dia. A emissora gaúcha -afiliada da Globo – exibe, nas tardes de sábado, sessões de teledramaturgia, filmes e documentários produzidos no Sul. As séries temáticas se alternam durante o ano. Vão de roteiros originais a reconstituições históricas e “causos” do folclore local. “O gaúcho tem um grande amor à terra e adora revisitar a própria história. Por isso, consolidamos uma média de 20 pontos de audiência”, analisa o diretor geral das séries, Gilberto Perin.

O ibope também embala o Na Carona, da TV Bahia. O programa de viagens pelo interior do estado mistura ecologia, turismo, história, esporte e cultura. Apresentado por Liliane Reis, chega a faturar 24 pontos nas manhãs de sábado. “A gente bota o pé na estrada e abre espaço para o inusitado. Cada lugar, cada pessoa que encontramos pelo caminho, nos ajuda a revelar os segredos da Bahia”, diz Liliane – que já fez programas reconstituindo a saga de Lampião e percorrendo os lugares descritos por Euclides da Cunha em Os Sertões, como as históricas cidades de Canudos e Monte Santo.

O Na Carona geralmente se limita às fronteiras da terra de Jorge Amado. Mais ao Norte, porém, a temperatura esquenta, com o noticiário Jornal do Piauí. Há 16 anos no ar, o programa vespertino é exibido pela TV Cidade Verde, afiliada do SBT. O “calor” de alguns debates alavanca a audiência e já foi responsável, por exemplo, pela prisão de um prefeito que atacou um procurador no ar, a morte por infarto de um entrevistado, ameaças de brigas e muitos bate-bocas. No mesmo Piauí, o destaque da noite de sábado é na TV Antena 10, afiliada da Record. Em Mariano Sem Cortes, um cabeleireiro faz entrevistas sobre uma cama, algo a la Monique Evans… A diferença é que os convidados, em sua maioria, são “artistas da terra”. “Me realizo em promover nossos talentos. Só não corto cabelo no programa. Seria um marketing pessoal muito apelativo”, teoriza o apresentador Mariano Marques, que tem um salão em Teresina.

Exaltar os talentos regionais também é o forte do Atualidades, da TV Morena, afiliada da Globo em Mato Grosso do Sul. O programa é apresentado por Marisa Machado de variados pontos do estado. Vai ao ar nas tardes sábado, entre as produções de rede Jornal Hoje e Caldeirão do Huck. “Precisamos atingir toda a família. Por isso, temos quadros diversos. Por causa do Caldeirão, a parte final é dedicada aos jovens”, explica Marisa, que alcança 20 pontos de ibope com o programa. Para a jornalista, as produções regionais podem ser uma injeção de criatividade na TV. “Além disso, o telespectador está aprendendo a dar mais valor ao que existe à sua volta. É uma afirmação da identidade cultural”, valoriza.

Frutos da terra

Alguns programas, embora regionais, ganham projeção nacional e até internacional. O Terra da Gente, produzido pela EPTV, de São Paulo, é um desses casos. Com belas imagens de todos os cantos do país, reportagens ecológicas, dicas sobre pesca e culinária típica, o programa já provou que não agrada apenas no interior paulista. Desde que estreou, em 97, ganhou espaço em afiliadas da Globo de Pernambuco, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Além disso, é distribuído pela Globo Internacional em tevês por assinaturas nos Estados Unidos, Japão, América do Sul e Central e África.

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