A publicação ajuda a identificar palavras e textos primitivos.

Ao longo dos anos, a língua portuguesa passou por uma série de variações. Considerado uma extensão da língua latina, o idioma, até chegar ao que é hoje, foi recebendo novas palavras, estruturas e construções com características próprias de cada região em que era falado.

A partir dessa semana, pessoas interessadas poderão conhecer um pouco mais sobre o assunto através do Dicionário da Língua Portuguesa Medieval, que será lançado nesta terça-feira pela editora da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A obra é de autoria do professor do departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da instituição, Joaquim Carvalho da Silva, e resultado de cerca de doze anos de estudos e pesquisas.

?Trabalho com língua medieval na literatura há vários anos e sempre senti necessidade de um dicionário que me ajudasse a identificar palavras utilizadas em textos mais primitivos. Muitas palavras atuais tinham, antigamente, ortografia bastante diferente, sendo difíceis de serem identificadas. A palavra ?homem?, por exemplo, pode ser encontrada com seis ou sete ortografias distintas?, comenta Joaquim.

O dicionário abrange do ano 1.100 até meados do século XVI, abordando aspectos semânticos, epistemológicos e ortográficos. Naquela época, a língua portuguesa tinha aproximadamente 15 mil palavras. Entretanto, a obra, em 310 páginas, contém cerca de 17 mil verbetes, em função de variantes. Será colocada à venda pelo valor de R$ 65,00 e poderá ser útil a todos que desenvolvam estudos de textos primitivos, como por exemplo pesquisadores das áreas de História, Filologia, Música e Literatura.

Além do dicionário, o professor Joaquim é criador do disque gramática da UEL, (43) 3371-4619, que começou a funcionar há 13 anos. O serviço recebe entre 15 e 20 ligações por dia, de todas as regiões do País.