ENTREVISTA

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ANDREW STANTON, DIRETOR

Foram 13 anos de espera, mas finalmente os fãs vão saber um pouco mais sobre a história da peixinha esquecida que ajudou Marlin a encontrar seu filho em Procurando Nemo. Procurando Dory, que chegou aos cinemas americanos quebrando o recorde de bilheteria da Pixar – e mantendo a liderança mesmo com a estreia de Independence Day – O Ressurgimento -, chega nesta quinta, 30, às telas do Brasil, focando, agora, uma das coadjuvantes mais famosas da história do cinema (dublada no original por Ellen DeGeneres).

No filme, dirigido por Andrew Stanton, o mesmo de Nemo, Dory tem flashes do seu passado e resolve ir atrás de suas origens, mesmo sem ter memória de curto prazo. Na sua jornada, vai parar num centro de pesquisas, onde recebe a ajuda do polvo Hank. Stanton conversou com o Estado na sede da Pixar, em Emeryville, perto de São Francisco.

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Ellen DeGeneres fez campanha pela continuação durante anos. Ela teve alguma influência?

Não teve nenhuma influência. Sempre entendi seus apelos no programa como humor. Ellen poderia ter me contatado de forma privada, se realmente quisesse tanto essa continuação. Quando finalmente tive a ideia, foi divertido. Liguei para ela e disse que ia fazer a continuação e Ellen respondeu: “Só estava brincando. Na verdade, não tenho vontade” (risos). Falei que ia se chamar Procurando Dory. E ela: “Ah, tá”. Mas depois de desligar o telefone, Ellen confessou que estava gritando e pulando.

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Sentia-se em débito com a Dory?

Todo mundo ama a Dory. Mas sempre pensei nela como uma personagem triste, que vagava pelo oceano sozinha fazia tempo, sem se lembrar por quê. Conheceu muitos peixes, mas ou eles a abandonaram ou ela se esqueceu deles e foi para outro lado. Então, tinha esse sentimento de abandono. Por isso, ela é tão engraçada e generosa, é como uma armadura. Assisti novamente a Procurando Nemo, alguns anos depois da estreia, e percebi que não queria mais que ela se sentisse daquela maneira. Foi isso que me fez querer voltar. Então, sim, eu queria fazer justiça.

O filme não tem um vilão. Por quê?

Não, porque é uma batalha interna. Ela precisa superar sua falta de confiança em si mesma. Não costumo escrever filmes com vilões, Toy Story também não tinha. Na vida real, você não sai por aí combatendo vilões, apesar de eu saber que pode acontecer em certos ambientes de trabalho. Mas a maior parte das pessoas luta contra coisas complexas na vida. Não fazemos histórias para crianças, fazemos histórias que as crianças também podem ver.

A Pixar sempre foi conhecida como o estúdio das histórias originais. Quando vocês começaram a fazer continuações, receberam críticas. Como lida com isso?

Nunca tivemos um período de tranquilidade em que as pessoas não estivessem falando: “Ah, eles não vão conseguir fazer de novo” ou “Eles finalmente perderam a mão”. Aprendemos muito tempo atrás a simplesmente não ouvir essas críticas. Se escutássemos, faríamos filmes piores. Depois de 27 anos na Pixar, estou bem escolado em ignorar os valentões.

É mais fácil fazer uma sequência?

A parte tranquila é criar novos personagens e locações. O difícil é tornar Dory uma personagem principal. Porque ela foi criada para ser coadjuvante. E como ela tem memória curta, foi bem duro para acompanhá-la. Foram anos de batalha. Em muitas ocasiões, eu gritava: “Quem escreveu essa personagem, eu odeio essa pessoa!” (risos).

Há tanta competição hoje na animação, inclusive do estúdio Disney, que, sob o comando de John Lasseter, voltou a ser grande. Sente que eles são um pouco fogo amigo, às vezes?

Sempre há espaço para grandes filmes. Só seria complicado se estreassem na mesma semana. Se há vários bons filmes, você quer ver todos eles. Se ajudamos a elevar o padrão de animação, agora eles estão fazendo o mesmo por nós, e todos saímos ganhando.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.