O poeta, ensaísta e tradutor Décio Pignatari morreu na manhã de hoje, aos 85 anos. Internado no Hospital Universitário da USP desde a última sexta, ele teve insuficiência respiratória e pneumonia aspirativa (infecção pulmonar).

Foi um dos principais nomes do concretismo, ao lado dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos. Os três editaram na década de 1950 a revista “Noigandres”.

Também com os Campos publicou “Teoria da Poesia Concreta”, em 1965.
Nascido em Jundiaí, em 1927, publicou seus primeiros poemas em 1949 na “Revista Brasileira de Poesia”. No ano seguinte lançou seu primeiro livro de poemas, “Carrossel”.

Formou-se em direito pela USP, em 1953, e, três anos depois, lançou o movimento da poesia concreta com o grupo Noigandres, a partir da revista publicada em 1952.

Em 1956, o grupo publicou “Plano-Piloto para a Poesia Concreta”. Lançou “Poesia Pois é Poesia” em 1977.

Também teórico da comunicação, Pignatari ajudou a fundar a Associação Brasileira de Semiótica, nos anos 1970. Autor de “Informação, Linguagem e Comunicação” (1968), traduziu obras de Marshall McLuhan, como “Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem”.

“Uma das inteligências mais incisivas que este país já teve”, disse Frederico Barbosa, 51, poeta e diretor da Casa das Rosas. Ele afirmou que a família não quis velório. O enterro é amanhã, às 12h, no cemitério do Morumbi.
Pignatari foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1983 e 1987. “A atuação dele como crítico de literatura no jornal foi marcante. Textos lúcidos, escritos com estilo. Mesmo quando não se concordava com ele, era preciso admitir que dava prazer de ler”, diz o escritor Joca Terron, 44.

Em entrevista à Folha em 2007, Pignatari sintetizou seus 80 anos numa de suas caras palavras-valise: “oitentação”. Sobre o rompimento com o poeta Ferreira Gullar, que encabeçou o movimento neoconcreto, disse que não guardava rancor pessoal. “Nós fomos inimigos íntimos, o Gullar e eu. Mas não briguei com ele pessoalmente. Brigo e depois dou risada, não quero saber de guardar rancor.”