Plebe Rude inteligente,
visceral, antenado e atualizado.

César disse: Vim, vi e venci.

Eu digo: Fui, vi e não vou esquecer. Cheguei para fazer a entrevista sem saber bem o que eu ia encontrar. Afinal, tanto Plebe Rude quanto Clemente, do Inocentes, são velhos conhecidos do público; mas já se passaram mais de vinte anos… Então, decidi ir como uma ?página em branco?, sem nada em mente, deixando que a entrevista tomasse seu próprio rumo.

Encontrei primeiro Clemente e em seguida chegou Philippe. Ficamos falando sobre o disco novo, começo de carreira, parada e volta. Enquanto eu pegava todos os dados e idéias deles, ficava vendo uma cena um tanto incomum no mundo da música e me abismando com aquilo tudo.

Em nenhum momento eu vi ?os caras do palco?? dando uma entrevista. O que eu vi foi um Philippe Seabra tranqüilo, politizado, acessível e sem nenhum plano ?faraônico?? de marketing para retomar a carreira e vender milhares de discos. É um profissional de música mesmo! E não é falsa modéstia. Depois de mais de uma década no ramo, tenho um faro afinado para detectar músico que ?faz tipo??; ele é humilde mesmo, está na dele e numa boa.

Quando perguntei sobre as perspectivas da banda, Philippe disse que estava até muito surpreso com a receptividade e espontaneidade da mídia e do público com a banda e o disco: ?A gente ganhou capa de jornal, foi chamado para entrevista em rádio, TV e via notícia por tudo que é lado. Não esperava por isso, a gente não tinha um planejamento para a divulgação do CD; aconteceu…?.

Já Clemente, além de todas as características citadas acima, tem uma força, uma garra, uma crença tão arraigada no que faz que poderia muito bem ser descrita como ?fé cega?. Trocando em miúdos, ninguém detém esse cara. Creia nisso!

Ele foi um expoente do movimento punk na década de 80, não se vendeu para modismos na década de 90 e em 2006 continua crescendo, porque acredita no que faz. Além disso, ainda produz discos, shows, clips e arrasta seus contemporâneos para um espaço que é deles por direito.

O show de lançamento do CD R ao Contrário, em Curitiba, mostrou um Plebe Rude inteligente, visceral, antenado e atualizado. Mas com a mesma cara do Plebe e sem saudosismo. ?A gente não tem saudade nenhuma da década de 80. Aquele foi um tempo de repressão, censura, de tomar porrada de polícia?, disse Philippe.

As letras continuam no viés político (sem chatice panfletária), mas mudaram a abordagem André X disse uma coisa interessante: ?antes a gente achava que a revolução vinha do macro para o micro, agora estamos seguindo a linha de raciocínio dos ?boêmios?, a mudança que começa pelo indivíduo e não pelo coletivo?.

Com casa cheia, digo, lotada, o Jokers tinha um público interessante. Interessante por três motivos claros. Primeiro, que não tinha uma idade padrão entre o público; a faixa etária flutuou entre 20, 30, 40 e acreditem… 50. Segundo que as pessoas puxavam as músicas, cantando o que queriam ouvir e acompanhavam com igual interesse as músicas novas. E terceiro, muita gente graúda do cenário musical local estava presente, entre eles: Fábio Elias (Relespública), JR (92.º), Mauricião Singer (91 Punk Radio), Marcelo (AC/DC Cover) e Digão Duarte (Folha de Londrina), só para citar alguns.

Foi uma noite daquelas!

Se você ficou, ainda que minimamente, interessado pelo que leu aqui, acesse o site: www.pleberude.com.br. Lá tem o material completo da banda e muitos, muitos vídeos. Divirta-se.

Margot DobigniesLocutora de rádio / estudante de Jornalismo.