A pirataria na internet obrigou as indústrias cinematográfica e fonográfica a buscarem alternativas que modifiquem profundamente os hábitos de consumo nestes setores. As empresas fonográficas destacam que o setor musical vive a maior crise de sua história. Nos três primeiros trimestres de 2004, as vendas de CD caíram 10,7% em volume e 12,2% em valor. Os empresários atribuem a queda ao download ilegal pela internet, através de redes de troca peer-to-peer, que a indústria tenta controlar com ações na Justiça.

A situação não é tão catastrófica para o cinema, ainda que na França aconteçam aproximadamente um milhão de downloads ilegais de filmes por dia, número assustador se comparado com os 477 mil ingressos vendidos no mesmo período nas salas de exibição francesas.

A indústria fonográfica reagiu apresentando uma oferta de download e criou várias plataformas legais em 2004. Por enquanto, o mercado musical continua marginal (aproximadamente 4,5% das vendas no mundo). Mas, segundo pesquisa do Forrester Research, o setor crescerá em 2007, quando poderia representar um bilhão de euros na Europa (3,5 bilhões em 2009).

De acordo com um estudo a rede digital Music Choice em nove países europeus, 50% dos entrevistados baixam música legalmente.

Diante da ameaça que a pirataria representa, os profissionais do cinema se mobilizam atualmente para conceber uma oferta legal, segura e paga de filmes pela web, pois temem que a chegada do acesso à internet de grande velocidade os coloque em uma situação comparável à da indústria fonográfica.

Na França já começaram as negociações entre os representantes do cinema (distribuição, produção e exploração), os provedores de acesso à internet, os editores de vídeo, as redes de rádio e as pagas.

Entretanto, as formas tradicionais de consumo não estão condenadas. Segundo um estudo da consultoria Jupiter Research, ainda que as vendas de música on-line e de walkmans digitais venham a aumentar constantemente até 2009, os CDs estão longe de ser destronados, graças paradoxalmente à internet. A venda on-line de títulos é melhor do que nunca nos Estados Unidos, 15% em um ano.

Quanto ao cinema, as salas francesas registraram vendas sem precedentes em 2004: 174,95 milhões de entradas entre 1.º de janeiro e 30 de novembro, 14,7% a mais que no mesmo período em 2003.