Dono de um dos painéis mais diversificados da cultura brasileira, o Estado de Pernambuco vai encerrar, entre hoje a 11 de setembro, a programação cultural promovida no Espaço Brasil, em Paris. Depois de receber atrações do Amazonas, Tocantins, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o Carreau du Temple, localizado no bairro do Marais, onde o espaço está montado, abre suas portas às artes plásticas, ao cinema e, sobretudo, à música pernambucana.

Entre as apostas musicais, não faltam exemplos de um hibridismo de incontáveis soluções e matizes. Da Zona da Mata, região da cana-de-açúcar e do maracatu, os pernambucanos apresentam o compositor Siba e os artistas populares da Fuloresta do Samba, além da originalidade sonora da Nação Zumbi, exemplo maior entre muitas propostas de unir o tradicional ao hip hop, ao funk e a outras sintaxes musicais.

Do sertão, região semi-árida, onde o sincretismo africano dá lugar aos instrumentos de corda, o público francês poderá conferir a cantoria de viola com sua métrica rigorosa e seus versos de improviso frente à frente com o rap da periferia urbana, nas apresentações conjuntas dos cantadores Ivanildo Vila Nova & Raimundo Caetano e dos rappers Tiger & Brown. Da região também apresentam-se o forró de Santanna e de Cezinha do Acordeon. Da Zona da Mata, surge a música percussiva de Eder O? Rocha e o sincretismo afro-brasileiro do Maracatu Porto Rico.

Do litoral, a embolada de Caju & Castanha. E da capital, Recife, a música eletrônica de Otto e do DJ Dolores, incrementada pelos timbres e ritmos do folclore do nordestino. A síntese da urbanização da região tem sua expressão mais bem acabada no trabalho de Alceu Valença e Geraldo Azevedo.