José Mayer e Leonardo Miggiorin.

Está cada vez mais difícil encontrar papais típicos nas telenovelas. Seja um sinal dos tempos ou simples necessidade dramatúrgica, os progenitores de folhetim andam mudados. Alguns – como o Pedro, interpretado por Maurício Mattar, em Agora É Que São Elas dispensam a mulher e assumem integralmente a criação dos filhos. Outros – a exemplo de Téo, vivido por Tony Ramos, em Mulheres Apaixonadas – assumem filhos que, na verdade, só o autor sabe se são dele mesmo. E há ainda os que nem imaginam quantos rebentos têm espalhados pelo mundo – caso do Estebam, personagem de Marcos Pasquim, em Kubanacan. De todo modo, a verdade é que, para o bem ou para o mal, não se fazem mais pais de ficção como antigamente.

Que o diga o Juca Tigre, de Agora É Que São Elas. O personagem de Miguel Falabella tem boas razões para se tornar sócio de uma clínica de testes de DNA. Primeiro, foi o último a saber que o rebelde Rodrigo, de Thiago Fragoso, era seu filho bastardo. Agora, descobre que a engajada Léo, de Débora Falabella, é sua filha com Antônia, de Vera Fischer. Como se não bastasse, o prefeito de Bocaiúvas vai descobrir que o “herdeiro” Vitório, personagem de Paulo Vilhena, é fruto de um relacionamento fortuito de Van Van, vivida por Marisa Orth.

Não menos complicada é a trama armada por Manoel Carlos em torno de Téo, personagem de Tony Ramos em Mulheres Apaixonadas. Ele tanto pode ser pai de Lucas, interpretado pelo pequeno Victor Curgula, e de Salete, vivida pela encantadora Bruna Marquezine, quanto de apenas um deles ou mesmo de nenhum. Pelo menos é o que garante o autor. Na mesma novela, contudo, ainda é possível encontrar um pai à moda antiga, que tem lá seus defeitos, mas combina muito bem autoridade e afeto. É o caso de César, de José Mayer. Ele sempre contou com a cumplicidade da meiga Marcinha, de Pitty Webo. Mas, no início da trama, teve de enfrentar a ira do filho, Rodrigo, interpretado por Leonardo Miggiorin. O rapaz atribuía a morte da mãe ao desgosto pelo relacionamento extra-conjugal do pai com a insossa Laura, de Carolina Kasting. Quando César descartou a amante, o rapaz se acalmou e virou um teatrólogo um tanto afetado.

Já em Kubanacan, a paternidade pode ser apenas uma questão circunstancial. O Esteban, de Marcos Pasquim, por exemplo, criou com todo amor os dois rebentos da viúva Marisol, de Danielle Winits – a roliça Antônia, de Thaís Müller, e o esperto Gabriel, de Pedro Malta. O garoto, inclusive, prefere o pai “postiço” à mãe legítima, que o abandonou para tentar a vida na capital. Mas, não bastassem as confusões em que se mete, o desmemoriado protagonista de Carlos Lombardi descobriu que é pai da afetuosa Pilar, interpretada por Raíssa Medeiros, fruto de um relacionamento do passado. Além disso, volta e meia surge uma amante antiga dizendo ter um herdeiro do “pescador parrudo”. O próprio Esteban, por sua vez, descobrirá em breve que seu pai, Alejandro Rivera, está vivo – e vai aparecer na pele do ator Werner Schünemann.

Modernos

Mas os dignos representantes do pai contemporâneo estão mesmo em Agora É Que São Elas. São o simpático Pedro, de Maurício Mattar, e o dedicado Djalminha, de Márcio Kieling. Pedro assumiu sozinho a criação da prole – o apegado Luís Felipe, de Thiago Oliveira, e a sapeca Alice, de Thaiani Maciel. Sempre bem-humorado, não se cansa de inventar passeios, em que leva de contrapeso as outras crianças da novela. Mas a felicidade do papai exemplar está ameaçada pela chegada da ex-mulher, Vânia, vivida por Bete Coelho. Sem grandes instintos maternais, ela quer tomar a guarda dos pimpolhos só para dar uma “garfada” no dinheiro do ex. Djalminha é outro que nunca teve problemas em assumir os afazeres domésticos. Troca fraldas da filha pequena e toma conta até das irmãs mais novas da mulher. Com a morte de Nanda, vivida por Jerusa Franco, o rapaz passou a se desdobrar para manter a ordem e o sustento da casa. No melhor estilo viúvo e pai de família.