O cenário é mais pé no chão do que o do show de lançamento do projeto, feito em fevereiro, com pompa e ostentação na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro. Agora é São Paulo que recebe o coletivo de sambistas que juntam forças para homenagear o gênero. A empresa de cosméticos Nívea banca a turnê nacional do show Viva o Samba com Diogo Nogueira, Alcione, Martinho da Vila e Roberta Sá. Quatro jeitos de sambar bem distintos que estarão no palco do Parque da Juventude, na zona norte, no domingo, 25, às 16h30.

Martinho falou sobre o que sentiu durante o show de lançamento. “Este tipo de evento ajuda a fortalecer o samba, que já é forte por si mesmo.” Disse tudo ali. O samba, como diz Maria Rita na entrevista acima, “nunca foi a lugar nenhum”.

Mas, de repente, ele virou moda sem nunca ter saído da moda. Além dos quatro artistas que agora estão juntos no palco, Gilberto Gil acaba de lançar disco com os sambas de João Gilberto, a cantora de São Paulo Paula Lima lançou um disco só de sambas, Jair Rodrigues saiu com um duplo de sambas dias antes de morrer, e o Prêmio da Música Brasileira fez este ano uma homenagem a ele, o samba. Não há uma data redonda que explique tal euforia, mas a Nívea arrumou a sua. Os shows que já passaram por Porto Alegre, Brasília, Recife e Salvador, além do Rio, falam em homenagear os 100 anos da primeira música gravada no Brasil sob este rótulo, samba. Foi Pelo Telefone, de Donga, lançada em 1916. Os cem anos, portanto, só seriam em 2016. E Pelo Telefone, curiosamente, não está no repertório de nenhum dos participantes.

A empresa patrocinadora não seguiu sua estratégia de homenagear grandes nomes do cancioneiro brasileiro, como havia feito com Elis Regina (em 2012) e Tom Jobim (em 2013), respectivamente representados nos palcos por Maria Rita e Vanessa da Matta. O novo espetáculo é dirigido por Monique Gardenberg e roteirizado por Hugo Sukman.

O show de lançamento no Rio não deve se assemelhar à apresentação que os paulistanos poderão ver no domingo. No Vivo Rio havia uma certa suntuosidade que não combina com samba, e sobretudo não combina com Martinho da Vila.

Eles deram conta do recado, mas poderia ser melhor se houvesse menos pompa. Em praça aberta não há erro. O repertório é demolidor, com um grande samba atrás de outro. Dos que não aparecem na lista ao lado, eles cantam também Feitiço Da Vila (Noel Rosa e Vadico); Rio Antigo (Chico Anísio e Nonato Buzar); Meu Lugar (Arlindo Cruz e Mauro Diniz); Vazio (Está Faltando Uma Coisa Em Mim), de Nelson Rufino; Pressentimento (Elton Medeiros/ Hermínio Bello de Carvalho); Ex-Amor (Martinho); Por Causa De Você (Dolores Duran e Tom Jobim); A Flor e o Espinho (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito); Os Meninos Da Mangueira (Rildo Hora e Sergio Cabral). E por aí segue até fechar com Aquarela Brasileira (Silas de Oliveira) e Isto Aqui o Que É? (Sandália De Prata) (Ary Barroso). Os artistas se revezam cantando juntos ou sozinhos.

Martinho da Vila e Alcione dão a impressão de que segurariam tudo sozinhos, tamanha a identificação imediata com o público. O peso e a legitimidade do projeto está em suas figuras. Roberta Sá e Diogo Nogueira também têm funções importantes. São o que se pode ainda chamar de sangue novo do gênero, fazendo a conexão com os filhos dos pais que ouvem Martinho desde os anos 70.

Na primeira seleção pensada por Hugo Sukman e Monique havia 60 canções, das quais 27 passaram pelo teste dos ensaios. A sequência vem muito bem amarrada em blocos e o ritmo não cai, mesmo com o entra e sai de artistas no palco. Alcione é show à parte e Diogo Nogueira garante a presença em espírito de João Nogueira, seu pai e um dos maiores sambistas que já passaram pelo planeta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.