Hoje, no Salão de Eventos do Museu Oscar Niemeyer, a partir das 11h, acontece o lançamento do livro de arte Clepsidra, resultado da parceira do artista plástico Rones Dumke com o jornalista, escritor e poeta Otávio Duarte. A obra tem projeto gráfico de Guilherme Zamoner e foi editada através da Lei de Incentivo à Cultura.

Segundo Otávio Duarte, responsável também pela edição, Clepsidra é uma obra de arte que reflete sobre a trajetória do ser humano. O título resume a idéia, projetando os sentimentos e as percepções do mundo desde a época das primeiras formulações sobre a existência e levando a reflexão aos dias de hoje. Clepsidra era o nome do antigo relógio de água que os gregos usavam para marcar a passagem do tempo.

A água captura o tempo, e o tempo abre suas páginas para desvendar a história da humanidade e a própria história da arte. Formas e palavras se integram e se interligam, uma complementando a outra, mas guardando suas próprias especialidades e independência, numa simbiose artística que tem o espaço gráfico como “hospedeiro”.

Como resultado deste processo criativo, Clepsidra sintetiza poeticamente a busca do homem por um sentido. Para isso, divide-se entre as colagens de Rones Dumke e os poemas de Otávio Duarte.

Não é uma coincidência. Nos últimos anos, Rones Dumke, um dos mais respeitados pintores do Paraná, trocou a excelência do desenho, que domina com maestria, pelo mergulho em colagens de inspiração surrealista.

Esse processo começou de forma embrionária em 1999 e se estendeu inicialmente até 2002, quando Rones apresentou suas primeiras colagens – feitas ainda com xerox das reproduções originais – ao artista plástico Carlos Scliar, no Rio de Janeiro.

Surpreendido pela qualidade e originalidade das obras, Scliar comentou com Rones: “Você não tem nem idéia da dimensão do universo que se encontra atrás da ‘porta criativa’ que você abriu com este novo trabalho”. E, sabiamente, deu a Rones a seguinte sugestão: “Por que você não utiliza os próprios originais para a composição das colagens?”.

De volta a Curitiba, Rones retomou seu trabalho e, sem dó nem piedade, empunhou a tesoura e começou a recortar todo o seu acervo de livros antigos, a grande maioria edições estrangeiras a partir do século XVII, adquiridos em longas incursões e pesquisas nos sebos de livros da cidade ao longo de toda a sua vida.

Simbolicamente, foi quando o artista, em seu processo criativo, deu corda ao seu “relógio artístico” e o tempo começou a fluir nas águas de infinitas possibilidades e formas de Clepsidra.

Ou, como comentou Fernando A. F. Bini, professor de História da Arte e crítico de arte, no texto de apresentação do livro:  “Como a água que escorre quando circula pelo relógio, Clepsidra representa a passagem do tempo como a própria passagem da vida”.

Serviço

Lançamento do livro de arte Clepsidra, de Rones Dumke e Otávio Duarte. Hoje, as 11h, no Salão de Eventos do Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999 -Centro Cívico), em Curitiba. Entrada franca.