Foto: Divulgação

Guilherme de Brito, um dos maiores letristas da música brasileira.

O compositor Guilherme de Brito foi internado no início de abril no hospital Mayer, no Maracanã (zona norte), com pneumonia e vítima de um infarto. Nos últimos dias, em quadro de falência múltipla dos órgãos, já estava sedado, respirando com a ajuda de aparelhos e morreu às 18h15 de anteontem, aos 84 anos, no Rio. O enterro foi ontem, no cemitério do Catumbi.

Quase toda a sua obra foi criada em parceria com Nelson Cavaquinho (1911-1986). Com ele fez sambas que se tornaram clássicos, como Folhas secas e A flor e o espinho — de onde saiu seu par de versos mais famosos, reconhecidos como um dos mais bonitos da música nacional: ?Tire o seu sorriso do caminho/ Que eu quero passar com a minha dor?. Embora não freqüentasse a Mangueira, fez para a escola, com Nelson, sambas que ficaram famosos, como Pranto de poeta e Folhas secas (?Quando eu piso em folhas secas/ caídas de uma mangueira/ penso na minha escola/ e nos poetas da minha Estação Primeira?).

Morador de Ramos (zona norte), Guilherme via com freqüência Cavaquinho bebendo e cantando em um bar próximo de sua casa. Um dia tomou coragem e lhe mostrou a primeira parte de um samba. Nelson aceitou completá-lo e a parceria começou.

?Era um grande poeta, melodista, cantor, pintor e teve com Nelson Cavaquinho um casamento perfeito. Folhas secas é muito importante na minha vida porque eles fizeram para mim. Nunca deixo de cantar nos shows. Sempre vai faltar o reconhecimento devido a um artista como Guilherme??, declarou a cantora Beth Carvalho.

Suas músicas foram gravadas por intérpretes como Paulinho da Viola, Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Elis Regina e Beth Carvalho. Ao longo de sua carreira, fez poucos discos. O primeiro, ao lado de outros artistas, foi em 1977, quando já tinha mais de 50 anos – só em 1980 gravaria um álbum solo. Nos últimos tempos, com a revalorização do samba e, conseqüentemente, da obra dos mestres do gênero, Guilherme de Brito gravou dois CDs: Samba guardado (2001), com músicas inéditas; e A flor e o espinho (2003); com regravações de seus clássicos ao lado do Trio Madeira Brasil.