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Paraná perde atriz Odelair Rodrigues

  • Por Redação O Estado Do Paraná
Odelair sofria com crises de bronquite.

Os palcos paranaenses estão menos iluminados desde a tarde de ontem. Aos 68 anos, morreu Odelair Rodrigues, uma das maiores estrelas das artes cênicas no Paraná. Uma parada cardiorrespiratória vitimou a atriz, que sofria de asma e bronquite crônica. O corpo está sendo velado na capela 2 do Cemitério da Água Verde, em Curitiba. O sepultamento será hoje, às 16h, no mesmo cemitério.

A morte de Odelair Rodrigues, que no ano passado completou 50 anos de carreira, chocou a classe teatral em Curitiba. Sua amiga Lala Schneider, outra grande mulher do teatro paranaense, estava inconsolável. Limitou-se a dizer: “Não acredito mais que sorrir proporcione vida longa, porque ela vivia sorrindo, era mais nova do que eu e se foi.”

A atriz e produtora Regina Vogue fez coro: “Ela era uma pessoa muito querida, e embora tivesse a doença, ninguém esperava. A Odelair sem dúvida vai fazer muita falta, porque ela adorava estar no palco. Mas ela estava feliz, satisfeita com as homenagens que recebeu no ano passado.”

O diretor e dramaturgo João Luiz Fiani, que trabalhou com a atriz na adaptação de Romeu e Julieta, no ano passado, também se espelhava no talento de Odelair: “Ela foi uma pessoa iluminada, um ponto de referência para todo mundo que trabalha com arte no Estado. Principalmente por ter vencido sendo negra e pobre. E era extraordinária comediante, o meu gênero favorito. Sentiremos muita falta.”

De uma família de quatro irmãos, Odelair Rodrigues nasceu em Curitiba em 14 de julho de 1935, e desde cedo manifestou sua vocação para a arte, ao ser selecionada pela professora de recreação do Grupo Escolar Xavier da Silva para interpretar Quem Quiser Vatapá, de Dorival Caymmi.

A estréia nos palcos aconteceu em 1952, pelo Corpo Cênico do Colégio Estadual do Paraná. No mesmo ano interpretou Balbina na peça Sinhá Moça Chorou, a convite do ator Ary Fontoura, com quem estabeleceu uma sólida parceria artística. Nas décadas de 70 e 80, trabalhou com os principais diretores de teatro paranaenses, como Maurício Távora, Eddy Franciosy, Antônio Carlos Kraide e Roberto Menguini.

Cinema e TV

Além de uma carreira consolidada no teatro, Odelair também atuou no cinema, nos filmes Lance Maior – estréia do cineasta paranaense Silvio Back e Entardecer da Ilusões. Na televisão fez programas humorísticos com Ary Fontoura e as novelas Escrava Isaura, Estranha Melodia, Vida Roubada, além de um dos grandes sucessos da televisão brasileira, O Direito de Nascer. Ao longo de sua vida, teve seu talento reconhecido através de vários prêmios de melhor atriz, recebidos em 1956,1977 e 1979. Também foi agraciada com o Bicho do Paraná em 1990 e Curumins, do Canal 6.

Nos anos 90, participou de O Palácio dos Urubus, com direção de Lala Schneider e O Cerco da Lapa, com direção de Oraci Gemba, ao lado de Regina Vogue. Com João Luiz Fiani e a Cia. Máscaras de Teatro atuou em Oizintocáveis, de 1996, e Frankenstein, de 1997. Em 2001 participou em voz e vídeo do espetáculo Bom Dia Dinossaura, de Enéas Lour. Convidada por João Luiz Fiani, aceitou encenar o papel da ama em Romeu e Julieta, comédia em homenagem aos 50 anos de vida artística da atriz. No ano passado estrelou a “farsa surrealista” Um Unicórnio no Jardim, de Edson Bueno, e recentemente tinha sido convidada a integrar o elenco do filme Cafundó, de Paulo Betti, que está sendo rodado no Paraná.

Nos anos de grande sucesso da rádio paranaense, ela foi um dos nomes de maior sucesso no rádioteatro da Rádio Clube, ao lado de Ary Fontoura. Dirigida por Adherbal Stresser e Ronald Stresser, a TV Paraná a levou, junto com diversos profissionais de primeiro time e outros que ali iniciaram carreira.

Muitos nomes são ainda bastante conhecidos: Sinval Martins, Sílvio Back, Juarez Machado, Alceu Honório, Maurício Tavora e outros. Osny Bermudes. Nas transmissões externas revelavam-se os talentos de Rafael Iatauro, Vinícius Coelho, Sylvio Ronald e Luiz Alfredo Malucelli. Todos esses e a classe artística do Paraná ficaram um pouco órfãos com a morte de Odelair Rodrigues.

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