Para ver nas férias frustradas

Aos pobres-diabos que vão permanecer em Curitiba ou nas grandes cidades do interior em janeiro, uma boa opção para este modorrento início de ano talvez seja ver este Sexo, Amor & Traição, estréia do diretor de TV Jorge Fernando na telona, que começou a ser exibido ontem nos cinemas. Desde que o seu único propósito seja uma hora e meia de lazer descompromissado, com direito a um elenco estelar e algumas risadas.

Não se engane com o título chamativo. Versão brasileira do dramalhão mexicano Sexo, Pudor y Lágrimas (1999), de Antonio Serrano, que quebrou a banca com 6 milhões de espectadores no país de origem, o filme de Jorge Fernando felizmente abriu mão do pudor e das lágrimas, mas tem pouco sexo e amores não muito sadios. Quem marca presença mesmo é a traição.

Murilo Benício, que aos poucos consegue se desvencilhar dos insípidos personagens de O Clone, é Carlos, um escritor em crise criativa e matrimonial com a esposa, a ardente fotógrafa Ana (Malu Mader). No auge dos desentimentos, aparece Tomás (Fábio Assunção), um bon vivant errante e sedutor, amigo do casal que nutre uma paixão antiga pela fotógrafa. Frustrada com a indiferença do marido, ela acaba cedendo às investidas do amigo.

No apartamento em frente, outra mulher sofre com a distância do marido: a ex-modelo Andréa (Alessandra Negrini) revolta-se com o marido, o publicitário Miguel (Caco Ciocler), que a trata como um bibelô para ser exibido socialmente. Nesse momento surge a zoóloga Cláudia (Heloisa Périssé, sem qualquer vestígio da sua Tati), uma antiga namorada de Tomás, que também resolve ficar uns dias na casa do casal.

Brigas e desencontros fazem o publicitário migrar para o apartamento do escritor, ao mesmo tempo em que a fotógrafa se muda para a casa da ex-modelo. Os dois apartamentos viram respectivamente um Clube do Bolinha e outro da Luluzinha, e é da ?guerra? entre os dois grupos que surgem os melhores momentos da fita. Nas mãos de Jorge Fernando, a história ficou ágil, dinâmica, com cara de episódio de Os Normais. E talvez o problema seja precisamente este, já que Os Normais, o Filme acabou de ser lançado. Destaques também para a atuação de Marcel-lo Antony, que abre mão dos seus galãs para encarnar um gay purpurinado, e de Betty Faria, que faz a supermãe de Murilo Benício.

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