A Pedreira Paulo Leminski foi tomada
por cerca de 20 mil pessoas que foram
acompanhar a encenação da Paixão de
Cristo, feita pelo Grupo Lanteri.

Todo mundo sabe qual será o final. A história já tem mais de dois mil anos. Mesmo assim, cada vez que ela é interpretada consegue fazer com que as pessoas parem, olhem e reflitam sobre o que aconteceu. Ontem, em Curitiba, como em várias partes do mundo, essa história voltou a ser encenada.

Um sentimento é o grande responsável pelo incontestável sucesso desse roteiro. “É pela emoção”, sentenciou Neusa Bortolossi, que pela quarta vez foi até a Pedreira Paulo Leminski acompanhar a encenação da Paixão de Cristo, feita pelo Grupo Lanteri.

Junto com ela, cerca de 20 mil pessoas presenciaram uma tradição de 26 anos na capital do Estado. Neusa estava acompanhada de seu esposo, três filhas e de uma vizinha. Chegaram mais de duas horas antes de o espetáculo começar. Levaram cadeiras, chimarrão e bolachas, tudo para aguardar a hora de novamente se emocionar. A ligação dessa família com a encenação é grande, mas Saionara Bortolossi, 17 anos, espera que ela seja ainda maior nos próximos anos. “Eu queria mesmo é participar”, contou, lembrando que já fez uma participação como anjo numa outra encenação do calvário de Jesus.

Aos 55 anos, o funcionário público José Pires, viveu um momento especial ontem. Ele foi até a Catedral Metropolitana e de lá seguiu para a pedreira. “A Sexta-feira Santa assim como toda a Quaresma é maravilhosa. Para mim está sendo muito importante, já que voltei a comungar depois de quatro anos”, contou, destacando que é a primeira vez que vê a encenação.

Nem tão polêmica quanto a versão de Mel Gibson, mas a encenação da Paixão de Cristo feita com o jeito curitibano já chegou a superar fronteiras. A bancária Rita de Cássia Barros, 20 anos, mora em São Paulo e veio especialmente para ver os oitocentos atores representarem a história que mudou o destino da humanidade. “Minha tia falava bastante e eu resolvi vir. Nunca vi nenhuma encenação, lá em São Paulo não tem nada parecido”, contou.

Ônibus

Desde as primeiras horas da tarde, vários ônibus especiais vindos da Praça Tiradentes e dos terminais do Cabral e Campina do Siqueira chegavam à pedreira. A gratuidade do transporte incentivou a vinda das pessoas das cidades vizinhas. É o caso da costureira Olívia Conceição Marques, 59 anos, vinda de Campo Largo. “É a primeira vez que vou. Estou realizando um sonho de minha filha”, disse.

O casal de namorados Emerson Maure e Angélica Santos também foi pela primeira vez. Eles moram em São José dos Pinhais. “Já há uma tradição de família em relação à Sexta-feira Santa. É um dia de respeito e jejum”, contou Emerson, cheio de expectativa em ver a peça.