Goste ou não, o respeito é algo que deveria acontecer naturalmente. E foi dessa forma que três artistas se uniram na noite de sábado (21), em Curitiba, não só para reforçar a luta contra o preconceito como também para comemorar as conquistas dos últimos tempos. Assim podemos definir a segunda edição da Festa da Pabllo em Curitiba, que reuniu não só a famosa Pabllo Vittar como também outras duas representativas artistas: Aretuza Lovi e Urias.

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Antes de subirem ao palco do Spazio Van e levarem o público, que encheu a casa de show, a loucura, as três conversaram com a Tribuna do Paraná com exclusividade. Urias, que também é assessora de Pabllo Vittar, brincou que reunir as três, em entrevista, é algo raro, mas que nos bastidores é bem comum. “Quando a gente se reúne é realmente como estar entre amigos, mas também fazemos um estrago no palco”, comentou.

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A festa, que teve abertura da banda Tazo, foi dividida em outros três momentos: a apresentação de Aretuza, a de Pabllo e a participação de Urias, que está começando na carreira agora. A cantora, que já vive no mundo do show business a partir do trabalho que realiza com Pabllo nos bastidores, disse que está comemorando tudo que tem conquistado. “Tá sendo uma recepção muito boa, costumo dizer que a gente não esperava, mas queria, então está ótimo”, disse Urias, que, recentemente, lançou Diaba, música que, só no YouTube, já tem mais de dois milhões de visualizações.

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Pabllo Vittar brincou que estar entre as duas, que são suas amigas, é algo que lhe faz bem. “A gente é isso que você vê mesmo, muita alegria e parceria. Eu tenho música com a Aretuza, tem música da Urias, mas a gente divide bem os momentos do show”.

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Das três, Aretuza Lovi é a mais velha: com 29 anos, é cantora, apresentadora e humorista. E ela avalia que ser artista como são as três é uma missão especial. “Acho que o artista tem que ser multifacetado, ninguém é tão completo. A arte drag nos proporciona isso e nos dá o caminho para ser tudo. A gente tem que performar, bater cabelo, dublar, e eu tive uma escola muito grande, trabalhei em várias boates dublando, fazendo humor. Para chegar até aqui eu tento somar tudo para tentar ser uma artista completa que eu ainda não sou e estou aqui, elas que lutem”, comentou Aretuza.

Foto: Lucas Sarzi/Tribuna do Paraná.

Representatividade forte

Tanto no palco como também em suas histórias, que são de luta contra todos os diferentes tipos de preconceito, as três cantoras reforçaram o quanto a entrada de novos artistas LGBT fazem com que as coisas acabem ficando mais fáceis não só para um artista, mas todos. Aretuza destaca que o surgimento de Pabllo Vittar veio para fortalecer o trabalho de muitas outras pessoas, que já buscavam espaço, mas não conseguiam destaque por conta da cultura de reprovação ao que é considerado diferente pela sociedade.

“Existia um movimento musical no Brasil já, mas se hoje é difícil, há oito anos, quando comecei, era muito mais. A Pabllo veio chutando todas as portas desse armário e trouxe todo o ‘vale’ junto. Trouxe uma representatividade que antes a gente não tinha”, explicou Aretuza, reforçando que nem mesmo a mídia dava espaço. “Há 20 anos, era muito difícil ver a nossa arte estampada em toda a mídia da forma mais respeitosa que é hoje”.

O que se percebeu no clima do camarim do show, é que não existe rivalidade, muito pelo contrário. “O mais bacana em dizer que a Pabllo trouxe todo mundo e vem trazendo, é que a gente entendeu que um arco-iris é feito de cores juntas e não separadas. A gente é um quebra-cabeça e cada um faz isso dentro de seu estilo, mas a gente tem essa soma por uma frente. Assim como surgiram vários movimentos musicais no Brasil, a gente também veio para revolucionar e, daqui alguns anos, vamos olhar para trás e ver que fizemos o que era para fazermos”, completou Aretuza.

E, através dos números, comprovamos que Curitiba tem uma sutil importância para as três artistas: com Pabllo Vittar, que tem mais de 3 milhões de ouvintes mensais no Spotify, a capital paranaense está em quarto lugar entre as cidades que mais ouvem o som da cantora do hit K.O., com 110.969 ouvintes mensais. Já no caso de Aretuza Lovi e Urias, Curitiba está em terceiro lugar entre as cinco que mais ouvem o som das cantoras, com mais de 10 mil e 9 mil ouvintes mensais, respectivamente.

Pabllo e Urias cantaram juntas. Foto: Lucas Sarzi/Tribuna do Paraná.

Vem disco novo!

Desde 2017, quando estourou, Pabllo Vittar já lançou dois discos completos: Vai Passar MalNão Para Não, mas também aproveitou bem a onda de singles e EPs. Para este ano, a cantora já trabalha em seu próximo lançamento, o terceiro disco, dessa vez de uma forma ainda mais ousada: 111, o novo álbum, vai vir dividido em duas partes, a primeira delas com data prevista de lançamento em 1º de novembro, quando a artista completa 25 anos.

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À Tribuna do Paraná, Pabllo adiantou que o disco vai ter músicas em português, claro, mas também em inglês e espanhol. “E vai ter muito forrózão, axézão, enfim, muita brasilidade”, comentou a cantora, mas sem entrar em detalhes. Além disso, o novo projeto também deve vir cheio de parcerias, uma delas já confirmada é a de Psirico (banda de pagode baiano de Salvador, na Bahia), na música ParabénsA música deve vir com clipe, que já foi gravado.

Podemos dizer que o terceiro disco de Pabllo é um reflexo de muitas conquistas que a artista foi buscando ao longo destes poucos anos de trabalho. Recentemente, em junho, a cantora se apresentou em um evento fechado na Organização das Nações Unidas, em Nova York, e também participou de eventos ligados às causas LGBT, como as tradicionais paradas gay. “Foi  muito legal porque nunca pensei, como pessoa física, que uma drag poderia cantar na ONU. Fiquei honrada, lisonjeada, por receber um convite de uma organização tão importante. Além disso, fazer as ‘prides’ lá de fora também foi legal porque me conectei com os fãs de fora”. Veja a entrevista completa:

Veja mais algumas fotos da Festa da Pabllo em Curitiba:

Foto: Lucas Sarzi/Tribuna do Paraná.
Foto: Lucas Sarzi/Tribuna do Paraná.
Foto: Lucas Sarzi/Tribuna do Paraná.
Foto: Lucas Sarzi/Tribuna do Paraná.
Foto: Lucas Sarzi/Tribuna do Paraná.
Foto: Lucas Sarzi/Tribuna do Paraná.

 

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