A Fundação Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo estendeu o contrato da regente titular e diretora musical Marin Alsop até dezembro de 2019. Segundo a fundação, uma cláusula de confidencialidade impede a divulgação do salário da maestrina. A fundação informou ainda que ela “vai ampliar o número de semanas à frente da Orquestra em São Paulo, para um mínimo de dez semanas por ano, fora atividades no Festival de Campos do Jordão (uma ou duas semanas) e turnês (até três semanas)”. As dez semanas, no entanto, já estavam previstas no contrato original, assinado em 2011.

A maior presença de Alsop em São Paulo era uma das reivindicações dos músicos da Osesp, que, em uma pesquisa realizada no início do ano, manifestaram interesse contrário à sua permanência: 70% disseram ser contra a renovação do contrato. A questão chegou a ser discutida pelos membros do conselho de administração da fundação, que também pediam um maior envolvimento dela com a comunidade musical de São Paulo e em projetos paralelos à temporada de assinaturas.

No anúncio da extensão do contrato, Alsop tocou no assunto, dizendo que “nos meus períodos de permanência em São Paulo, conto me engajar ao máximo em outras atividades da Fundação Osesp, também, incluindo projetos educativos – como a própria Academia da Osesp – e sociais”.

O contrato de dez semanas, no entanto, já estava previsto na época de sua chegada, em 2011. Em 2012, por exemplo, Alsop comandou a Osesp em 11 semanas; em 2013, foram oito; e, em 2014 e 2015, nove. Questionada sobre estes números, a Fundação Osesp explicou que a variação entre os anos se deveu à existência de compromissos previamente assumidos pela maestrina e que, para 2016, já estão confirmadas 11 semanas dela em São Paulo, além das turnês.

A intenção de renovar o contrato original da maestrina, que termina em 2016, até o final de 2019, foi revelada pelo jornal O Estado de S.Paulo em reportagem publicada em março. Na ocasião, o presidente da fundação, Fábio Barbosa, disse desconhecer a metodologia da pesquisa feita pelos músicos. Segundo ele, “em um momento como esse, é preciso ouvir muita gente: músicos, assinantes e público em geral, mídia, membros dos conselhos, direções executiva e artística, patrocinadores, agentes”.

“Todas as avaliações apontam para uma direção altamente satisfatória”, completou. Quanto a posição dos músicos, ele afirmou que, mais importante do que a pesquisa, “é entender quais os pontos levantados pelos músicos e o que pode ser melhorado na relação”.

Segundo a fundação, a extensão do contrato se deu pois, “ao longo dos últimos três anos, desde o início do contrato da regente, o desenvolvimento da orquestra tem sido notável e vem rendendo avaliações positivas tanto do público quanto da crítica especializada”. “Seja do ponto de vista técnico e artístico, seja do reconhecimento nacional e internacional, a Osesp consolidou sua posição como a mais importante orquestra brasileira e principal orquestra profissional da América Latina”, diz o comunicado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.