O quarteto carioca Los Hermanos:
abertura da turnê em Curitiba.

“Viu, não é só fazer a entrevista. Tem que ir ao show”. Inclusive os críticos? “Claro, eu quero que vá todo mundo!”, disse Rodrigo Amarante, que mal chegara a Curitiba, e já partia rumo ao Rio de Janeiro, onde tocava ontem com a Orquestra Imperial. Hoje, numa sexta-feira 13, dia Santo Antônio, Amarante se reintegra aos Hermanos a partir das 23h, no Cine Música Bar, no show de lançamento de Ventura – terceiro álbum de uma banda cuja fidelidade ao próprio trabalho é muito mais louvável do que qualquer letra de rock?n?roll engajada.

No caminho para o aeroporto, o vocalista mais conhecido como Ruivo, conversou tranqüilamente por telefone com a reportagem do Paraná-Online:

Paraná-Online: Dá uma prévia do que o público ouvirá.

RM: Vamos tocar muita música nova. Praticamente mais da metade do show, porque a gente pensa que o público que vai nos assistir quer ouvir as novas canções. Eu sei que isso não é comum, o show acaba se tornando mais contemplativo. Mas o set list (roteiro) do show, a gente decide na hora mesmo.

Paraná-Online: Este terceiro disco, que chegou às lojas há três semanas, seria um meio termo entre o sucesso de público conquistado por Anna Júlia e o Bloco do Eu Sozinho, muito elogiado pelos jornalistas?

RM: Aconteceu uma série de fatores, causas e consequências alheias à banda. O sucesso do primeiro CD é certamente atribuído a Anna Júlia, e por isso o pessoal da gravadora com a qual tínhamos assinado (Abril Music), achou que repetiríamos a fórnula da canção. Mas nós não estamos neste meio pela grana. Nós somos amigos, companheiros na carreira artística. Acabou que o nosso segundo CD foi taxado de experimental, difícil…

Paraná-Online: E o que é ser difícil?

RM: Pois é, ser difícil é estar dentro da música popular? Eu nem sei o que significa ser experimental. O que aconteceu foi que a BMG, a nossa nova gravadora, apostou na banda. Eu não recrimino o que aconteceu com o Bloco…, não. A história fez acontecer.

Paraná-Online: Você mesmo é o idealizador das mensagens estampadas nas suas camisetas. Outro dia apareceu num programa de TV com uma camiseta onde estava impressa “Estética. Est ética”. Até que ponto os críticos de música no Brasil se preocupam com a estética? Existe crítico de música?

RM: É difícil dizer. O ato de criticar deve ter um objetivo. Se não for arte não existe objetivo. A função do crítico é traduzir, interpretar o objeto artístico a quem não tem acesso à obra. É chamar a atenção do público para o trabalho do artista. O que acontece é que os críticos acabam se confundindo com o artista e publicam opiniões pessoais. São poucos os que pensam antes de escrever, hoje em dia. Por exemplo, a maioria dos jornalistas repete o que o Pedro Alexandre (Sanches, da Folha de S. Paulo) escreve. Depois que se escreve a primeira crítica, a tendência é repeti-la. Aqueles que criticam são pouquíssimos.

Paraná-Online: Mas o próprio Pedro Alexandre disse que os Tribalistas foram os responsáveis pelo momento de renovação da MPB. Por que não vocês?

RM: De forma alguma eu concordo. Eu citei o Pedro, mas não concordo com tudo o que ele escreve. O próprio texto que ele escreveu sobre o Ventura, de algumas coisas eu gostei, outras não. Mas, se eu for me preocupar com tudo o que escrevem, entro em depressão. Afinal, é só a opinião de um cara. O que um amigo meu fala tem muito mais valor.

Paraná-Online: O efeito para quem ouve as canções compostas por você e pelo Marcelo Camelo, principalmente as do Bloco…, não é um tanto “terapêutico”?

RM: (Risos) Essa é “a nossa política”. Tem gente que fala: “Vocês tem que olhar pro social”. Mas a nossa política é emocionar. É fazer com que as pessoas que escutam nossas canções olhem pra dentro de si e vejam que podem ser uma pessoa melhor. Eu não agrego um valor coletivo, do tipo: “ouço Los Hermanos, estou engajado”. O importante é o romantismo, o otimismo. Isso sim pode mudar o mundo.

Ingressos a 12 reais. O Cine Música Bar fica na Av. João Gualberto, 81. Informações pelo telefone (41) 3024-8081.