São Paulo – (AE) – Carlos Drummond de Andrade escreveu certa vez um poema sobre a lua, mas não a do astronauta Armstrong, ?pisada e apalpada??, e sim sobre a lua mágica e pensativa de Alphonsus de Guimaraens (1879-1921) o grande poeta simbolista mineiro. Alphonsus, para quem não se lembra, é o criador daquela Ismália desvairada que, presa numa torre, viu uma lua no céu, outra no mar, e, como um anjo, pendeu as asas para voar.

A partir de agora, seu nome vai ser lembrado não como o poeta que inspirou Drummond, mas como o bisavô de dois jovens poetas que também ouvem a voz da lua, os primos Augusto, de 22 anos, e Domingos Guimaraens, de 24 anos. Eles formam com outro carioca, Mariano Marovatto, de 26 anos, descendente do poeta romano Publius Vergilius Maro (Virgílio, para os íntimos), o grupo Os sete novos.

O trio é realmente novo. Está lançando pelo selo 7 Letras três pequenos grandes livros de poesia, saudados por nomes como o poeta e tradutor Paulo Henriques Britto, o diretor teatral José Celso Martinez Correa e o poeta Guilherme Zarvos.     Domingos, o mais velho da turma, lança A gema do Sol, dedicado ao avô Alphonsus de Guimaraens Filho, que o iniciou na poesia. Augusto provoca com Poemas para se ler ao meio-dia. Finalmente, Mariano Marovatto revela sua formação erudita, marcada pela leitura dos clássicos, em O primeiro vôo.

O grupo, apesar dos sérios propósitos poéticos, tem humor, denunciado na escolha do nome, Os sete novos. Os quatro restantes nem eles mesmos conhecem. Ainda estão por vir. Como os três primeiros não têm um projeto estético definido – ao contrário dos concretos paulistas -, esses cariocas apostam em programas individuais, submetendo-os à apreciação dos demais.

E os ?demais? são todos aqueles que acompanham as performances de Domingos Guimaraens e os shows musicais de Augusto e Marovatto, também vocalistas de bandas de rock.

O trânsito interdisciplinar de poesia, música e artes visuais tem facilitado o acesso da meninada a informações antes reservadas a acadêmicos. Augusto de Guimaraens pretende seguir os passos do colega Marovatto. Vai desenvolver sua dissertação de mestrado sobre a influência das letras do rock dos anos 80s no advento da nova poesia brasileira, aquela que surge com Antonio Cícero e Arnaldo Antunes, dois nomes ligados à música.