Os bobos de Shakespeare volta ao teatro

Depois de três temporadas de sucesso no ano passado, o irre-verente espetáculo Os bobos de Shakespeare volta em cartaz para uma única apresentação no projeto Teatro para o Povo, promovido pelo Centro Cultural Teatro Guaíra. A peça será apresentada domingo, dia 4, às 11h, com ingressos gratuitos. A comédia, baseada em texto de Edson Bueno a partir da obra de William Shakespeare, recebeu uma indicação para o 27.º Prêmio Gralha Azul e concorre ao troféu de Melhor maquiagem. Com direção de Laercio Ruffa, o espetáculo é protagonizado pelo ator Thadeu Peronne que conquistou dois Prêmios Gralha Azul (1997-Melhor ator coadjuvante, 1999-Melhor ator) e foi indicado também como Melhor ator em 2004. A realização do espetáculo, que até agora foi visto por cerca de 9 mil pessoas, é do Grupo Serial Cômicos.

O monólogo traz textos de várias peças de Shakespeare, dos quais foram recolhidas as personagens e alinhavadas com o fio condutor da condição humana, as limitações, lutas, misérias e grandezas que na boca de um bobo podem ser ditas com graça, singeleza e ironia. O texto foi encomendado pelo ator Peronne ao premiado dramaturgo Edson Bueno, que reuniu trechos de Macbeth, Rei Lear, Ricardo III e Otelo, entre outras obras do bardo inglês. Na versão final, o espetáculo também traz reflexões contemporâneas sobre o papel do homem na sociedade e, por isso, o diretor Ruffa incluiu textos do pensador francês Guy Debord, crítico da sociedade do espetáculo. Para Debord, as relações humanas estão cada vez mais sendo mediadas por imagens e calcadas na lei de mercado, ou seja, do capitalismo. Quando as relações se baseiam apenas na aparência, as relações se fragmentam e se fragilizam, perdendo assim a razão da existência.

O espetáculo alterna momentos cômicos, dramáticos e trágicos para retratar desde o clown ao arlequim da comédia dell?arte, passando pelas várias faces que o arquétipo do bufão adquiriu no contexto social: o inocente, o sonhador, o esperto e o trapaceiro. ?Os bufões aparecem em quase todas as obras de Shakespeare, nem sempre identificados. Hamlet teve um lado bufão, Iago é um bufão do mal?, explica Peronne, que estudou escritos de Harold Bloom, Bárbara Heliodora, Ruy Poquet e outras referências sobre Shakespeare para a montagem. São cerca de nove perso-nagens: um bobo-base que perpassa toda a narrativa e variações relacionadas à modernidade, ao underground retratado por uma drag-queen, ao amor de Romeu e Julieta e à maldade destilada por Ricardo III num texto sobre a consciência.

Os Bobos de Shakespeare ?é um trabalho contemporâneo, curto, com 45 minutos. No cenário, idea-lizado por Paulinho Maia, apenas 2 castiçais, uma cortina e um baú de onde o ator tira os adereços e fi-gurinos que dão vida aos diversos personagens que se sucedem. A sonoplastia com temas variados foi escolhida e composta por Chico Nogueira, dentro de obras de domínio público.

A peça Os bobos de Shakespeare é ainda um exercício de interpretação, pois o ator explora ao máximo técnicas de construção dramática e corporal. Na primeira fase dos ensaios o ator teve aulas de corpo com Barsha Kin e, na segunda fase, a preparação corporal foi realizada pelo ator mímico Luiz Roberto Meira, responsável pela direção de movimento do espetáculo. A luz de Rodrigo Ziolkowski completa o clima irreverente da peça. A preparação vocal, outro ponto forte da montagem, foi coordenada pela fonoaudióloga Cida Stier.

Serviço:

Os bobos de Shakespeare, no Teatro Guaíra – Mini-Guaíra, domingo, dia 4, às 11h. Informações: (41) 3304 7954.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google
Voltar ao topo
O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Ao comentar na Tribuna você aceita automaticamente as Política de Privacidade e Termos de Uso da Tribuna e da Plataforma Facebook. Os usuários também podem denunciar comentários que desrespeitem os termos de uso usando as ferramentas da plataforma Facebook.