Ofício de carvoeiro exposto na pele

O Museu da Fotografia/Solar do Barão abriu ontem e apresenta até 14 de julho a mostra Carvoeiros Urbanos, com imagens de um trabalho em carvoarias do Rio de Janeiro realizado pela fotógrafa Sandra Gonçalves. São 45 fotografias que revelam o universo paralelo dos carvoeiros.

“As condições de trabalho dos carvoeiros são as mesmas de um século atrás”, constata a fotógrafa, mostrando por meio da fotografia que o ofício de carvoeiro está exposto na pele e entranhado nos pulmões, depósitos vivos de alcatrão.

“Entre os grupos que se dedicam a profissões arcaicas, desenvolvendo tarefas insalubres e desumanas, os carvoeiros são os mais peculiares, pois empregam métodos obsoletos e possuem uma organização de trabalho antiquada, que, mais do que uma profissão, parece ser uma servidão”, diz o fotógrafo Pedro Vasquez, para quem o trabalho de Sandra Gonçalves “une o olhar solidário ao tratamento visual arrojado e plasticamente bem equacionado, singularizado pelo emprego da cor, quando o próprio negror do carvão parece clamar pelo uso do preto e branco. Sua abordagem não tem nada de antropológica ou estritamente documental, procurando criar um universo expressivo próprio”.

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