Bailarinos argentinos brilham em Coppella.

Entre todos esses eventos de inverno que existem pelo Brasil afora, o Festival de Dança de Joinville é o mais tradicional, provavelmente o mais bem organizado e o mais charmoso – afinal alcançou com orgulho a 22.ª edição. Sim, em Joinville se reúne a nata da dança brasileira com suas belas bailarinas e bailarinos, coreógrafos, diretores, produtores culturais e amantes das artes.

Para a inauguração do Festival deste ano, a organização escolheu corretamente, ao optar pela apresentação de Coppelia pelo Ballet Estable del Teatro Colón, que lotou o Centreventos Cau Hansen. Balé clássico é sempre bem-vindo, incentiva e introduz as novas gerações aos belos e indispensáveis espetáculos, além de emocionar os mais antigos e já familiarizados com essas produções centenárias. Além disso, por causa dos custos e da atual situação do País, é raro alguma companhia nacional apresentar um dos clássicos, como Lago dos Cisnes, Coppelia, Giselle ou a Bela Adormecida. Pelos mesmos motivos, trazer um corpo de baile internacional tornou-se impraticável. Por isso, é elogiável que possamos assistir, de tempos em tempos, balé clássico, como dessa vez em Joinville.

O problema é que as pessoas perderam a noção do respeito e da educação. Durante a apresentação, pais e mães permitiram que filhos conversassem, discutissem, tirassem fotos com câmeras e celulares digitais, – utilizando o flash, é claro, – além de, o cúmulo dos cúmulos, alguns garotos jogarem videogames sonoros nas poltronas. Também foram vistos alguns adolescentes com walkman e seus famigerados fones de ouvido. Uma perda de dinheiro e de tempo para quem agiu dessa maneira.

A produção do festival de Joinville pecou apenas ao não manter um gerador para conter a falta de eletricidade que um raio causou na abertura do evento, logo após o discurso do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique. As pessoas esperaram pacientemente, durante quase uma hora, sem reclamações, mas comendo muito do lado de fora e levando pipoca, lanches e bebidas para o teatro. Se tudo é festa, uma oportunidade para o povo se divertir, deve-se lembrar que até em cinemas, os proprietários pedem para que se desliguem os celulares. O show de flashes no rosto dos bailarinos profissionais argentinos foi bizarro e inoportuno. Fica o aviso para o próximo ano e para outros espetáculos. Sim, o povo anda mal-educado, os celulares proliferam, e é por isso que as leis estão mais rígidas e as regras de conduta mais apertadas.

Dança para todos

Mas essa não é a essência desse ótimo festival. O importante é que os patrocinadores mantiveram a verba este ano, a Petrobras inclusive, foi homenageada (com uma escultura de metal dourado no formato de sapatilha, obra de Marli Swarowski ), e foi possível levar para Joinville, 133 grupos de dança (4 do Paraná) para Mostra Competitiva, 25 para o Festival Meia Ponta e 63 grupos para os palcos alternativos, de 15 estados brasileiros e 5 países. Pelo menos 4500 participantes estarão desempenhando sua arte no festival, que ainda contará com diversos seminários, debates e lançamentos de produtos relativos a dança.