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O legado da arte de Alfredo Andersen

Os 150 anos de nascimento do pintor são comemorados com festa em Curitiba

  • Por Cintia Végas, Estadão Conteúdo

Um artista que orientou tendências e foi considerado, acima de tudo, o grande animador das artes plásticas do Paraná. Neste mês de novembro, estão sendo comemorados os 150 anos de nascimento do pintor Alfred Emil Andersen, mais conhecido como Alfredo Andersen (03/11/1860 – 09/08/1935).

Apesar de norueguês – nascido em Christianssand, capital do condado de Vest-Agder – ele viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, no litoral, e ainda hoje é tido como o “pai da pintura paranaense”.

Andersen foi o primeiro artista plástico a atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no Estado. Ele se envolveu de forma intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura.

Foi ele que incentivou a formação da primeira geração de artistas plásticos profissionais no Paraná. Seu trabalho o transformou em uma personalidade importante para o estudo da sociedade e da arte paranaense do final do século XIX até as primeiras décadas do século XX.

“Andersen, ainda hoje, é um exemplo para todo artista que queira se arriscar na área das artes plásticas. Ele chegou ao Brasil sem incentivo e sem emprego, mas mesmo assim conseguiu se destacar e sobreviver de sua arte. Além de grande beleza, suas obras são um retrato de como era o Paraná no passado. Ele pintou, por exemplo, as Sete Quedas, em um quadro que tem 3,20 metros só de tela. Para isso, no ano de 1904, viajou trinta dias em lombo de burro e chegou a contrair malária”, diz o presidente da Sociedade Amigos de Alfredo Andersen, Wilson Ballão, que é bisneto do pintor.

Para as comemorações dos 150 anos, Wilson reuniu, nos últimos dias, em Curitiba, muitos familiares de Andersen. Destes, 23 vieram da Noruega e dos Estados Unidos. Porém, também chegaram à capital paranaense familiares vindos de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

“Alfredo Andersen tinha quatro irmãs. Sou neta de uma dessas irmãs e estou muito feliz por poder estar em Curitiba comemorando os 150 anos de nascimento de meu tio avô. Ele tem uma história de vida muito bonita e interessante”, afirma a sobrinha-neta do pintor, Ragnhild Margrethe Jensen, de 71 anos, que é da Noruega e vive em Christianssand.

O também norueguês e sobrinho-neto de Andersen, Sven Rudolf Peersen, de 68 anos, comenta que o pintor é mais conhecido no Brasil do que no país onde nasceu.

“Para mim, o mais importante é que Andersen foi reconhecido como um grande artista ainda em vida. Em 2001, fizemos uma exposição de suas obras em Christianssand. Isso chamou a atenção da imprensa local e contribuiu para que, de vez em quando, alguma coisa sobre Andersen saia na mídia norueguesa. Porém, ele é muito mais conhecido e valorizado no Brasil do que na Noruega”.

Formação

A formação artística de Andersen se deu toda na Europa. Ele desembarcou no Paraná em 1892, indo para Paranaguá, onde morou por dez anos e viveu da realização de retratos sob encomenda e decorações cênicas para casas. Aos quarenta e dois anos, pouco tempo após casar com a parnanguara Anna de Oliveira (1882-1945), mudou-se para Curitiba.

Na capital, abriu um atelier na Rua General Deodoro (atual Marechal Deodoro), realizando exposições individuais de seu trabalho, participando de mostras coletivas e atuando como professor de desenho e pintura.

Na década de 1910, passou a lecionar desenho em instituições de ensino formal da cidade. No ano de 1915, mudou seu atelier e escola para a edificação em que hoje se encontra o Museu Alfredo Andersen, na então rua Assunguy (atual Mateus Leme). Em 1931, recebeu o título de “Cidadão Honorário de Curitiba”.

Produção artística

Alfredo Andersen foi um pintor de retratos, paisagens e cenas de gênero. Sua produção artística é divid,ida em três fases: período norueguês (1873- 1892), período litorâneo (1892 – 1902) e período curitibano (1902- 1935).

O norueguês, segundo informações divulgadas pelo museu que leva o nome do pintor, é marcado por uma representação da vida urbana e rural, por retratos de afeição e cenas de gênero em ambientes interiores.

O período litorâneo é caracterizado por cenas marinhas, retratos de encomenda e cenas ambientadas em espaços externos. Já o curitibano é marcado por uma maior pluralidade temática e por um maior amadurecimento do estilo do artista.

Museu Alfredo Andersen

Daniel Caron
Busto do pintor inaugurado na praça Alfredo Andersen.

A importância de Alfredo Andersen para a cultura paranaense é tanta que, no ano de 1959, em Curitiba, foi inaugurado um museu que leva o nome do artista. Atualmente, o espaço fica localizado no bairro São Francisco, na rua Mateus Leme, 336, e é aberto à visitação de terça a domingo.

O museu tem sua origem na sociedade de amigos do pintor, criada em 1940. Em 1959, houve a abertura da Casa de Alfredo Andersen – Escola e Museu de Arte. A instituição passou a ser chamada de museu em 1979.

“O museu funciona na casa onde Andersen morou, com sua família, a partir de 1915. É uma construção de dois andares, construída no fim do século XIX. Após o falecimento do pintor, ela continuou sendo ocupada por seu filho e acabou sendo tombada pelo Patrimônio Público Estadual”, explica a atual presidente do museu, Roseli Bassler.

Atualmente, o espaço é administrado pelo poder público estadual, vinculado à Coordenadoria do Sistema Estadual de Museus (Cosem) da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná (Seec-PR).

Tem como objetivo catalogar, conservar, expor e divulgar a obra de Alfredo Andersen, além de resgatar sua memória como artista e educador e dar continuidade a seu trabalho de promoção cultural. Isto se dá através da oferta de cursos, organizações de mostras e seminários sobre arte.

“Todas as atividades que realizamos têm como objetivo preservar e divulgar a memória de Andersen”. Alfredo Andersen também dá nome a uma praça de Curitiba, localizada em frente ao hospital Evangélico.

Selo, carimbo e catálogo

Vários eventos, realizados no decorrer da última semana, em Curitiba, foram alusivos aos 150 anos de nascimento do pintor. Entre outras coisas, foram lançados um selo, um carimbo e um catálogo de obras comemorativos.

Porém, nas próximas semanas, ainda será possível apreciar algumas exposições sobre o artista tanto na capital quanto em Paranaguá. No museu que leva o nome do pintor, em Curitiba, fica em cartaz, até 31 de janeiro, a exposição 1º. Salão de Artes Plásticas – A continuidade do trabalho de Alfredo Andersen, com obras exibidas em uma exposição feita em 1941, no edifício Garcez.

No Paço da Liberdade, ainda na capital, até 26 de dezembro, é possível apreciar a mostra A Curitiba de Alfredo Andersen. Já em Paranaguá, fica em cartaz, até o dia 5 de dezembro, na Casa Monsenhor Celso, uma exposição com retratos pintados por Andersen.

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