Devido às falhas técnicas e humanas que resultaram em problemas de projeção, o Cine PE Festival do Audiovisual, que termina nesta quarta-feira, chegou ao fim embolado. Na terça foram exibidos os últimos concorrentes. Na grade original, seriam dois longas, mas, por conta da necessidade de (re)exibir “Boca”, de Flávio Frederico, eles foram três, mais os curtas. A sessão, que começou por volta de 17 h, estendeu-se até o fim da noite (o início da madrugada?).

Esse acúmulo de filmes não deixa de ser prejudicial, pela urgência com que terão de ser tomadas as decisões. Não há como antecipar o que poderá fazer o júri presidido por João Batista de Andrade, cineasta cuja obra se pauta pelo recorte político, sem deixar de ter, em seus melhores momentos, preocupações de linguagem – na forma de abordar documentário e ficção. Um ator como Matheus Nachtergaele, que interpreta o filme mudo “Na Quadrada das Águas Perdidas”, que passou na terça, é sempre candidato a melhor.

Com exceção da primeira noite, a mais fraca de público, Recife confirmou seu status de ser o grande festival de público do cinema brasileiro. As sessões no Cine-Teatro Guararapes lotaram, e em diversos filmes a plateia esteve bem entusiasmada. Boa parte da seleção contemplou obras de conteúdo musical, ou filmes tratando de perdas ou relações familiares, entre pais e filhos.

Uma eventual derrota de “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado, que estreia sexta nos cinemas, não prejudicará o filme que traz para a tela (e o cinema brasileiro) o universo da música eletrônica? Foi a pergunta que a reportagem fez ao diretor e Prado, que filmou parte da produção numa praia próxima, respondeu convicto de que, se “Paraísos” perder, não será por falta de qualidade.

O melhor, na avaliação parcial que podia ser feita na terça, é o documentário de Pedro Bial e Heitor d’Alincourt sobre Jorge Mautner, “O Filho do Holocausto”. Cacá Diegues, homenageado aqui no Recife, comentou com o ex-genro – Bial foi casado com sua filha, Isabel -, que “O Filho do Holocausto” é documentário com um gostinho de ficção. Matou a charada. O filme é ótimo, e como tributo a Mautner, necessário e absoluto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.