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O desaparecimento dos bons programas infantis

  • Por Jornalista Externo
Eliana e a Fábrica Maluca:
mal das pernas.
Xuxa: pedagogia torpe.

Foi-se o tempo em que as crianças podiam se deliciar com a grande variedade de programas infantis na tevê aberta. Dos anos 60 aos 90, não faltaram produções dedicadas ao público mirim. Dos mais educativos, como A Turma do Lambe-lambe, aos de efeitos especiais e pedagogia torpe, como Xou da Xuxa, pelo menos não faltavam opções para pais e filhos. Atualmente, porém, a variedade é limitada. E o que está no ar não empolga as crianças e muito menos os pais.

Exemplos disso são Xuxa No Mundo Da Imaginação, da Globo, e Eliana Na Fábrica Maluca, da Record – que, com 9 e 2 pontos de audiência, respectivamente, não fazem sombra ao ibope alcançado pelas duas loiras no passado. Por trás do ocaso dos programas infantis, porém, há uma total falta de interesse e investimento das emissoras para atender aos pequenos telespectadores.

Na verdade, tanto a Globo e a Record quanto o SBT – com seu pacote clássico de desenhos -, tentam ao menos preservar o horário matutino da criançada. Mas não há como negar uma tendência geral. A programação infantil das manhãs, quando resiste, vem perdendo espaço para os programas femininos, que são mais baratos e um grande filão para “merchandising”. Tanto é assim que emissoras como Band e Rede TV! já dedicam suas manhãs exclusivamente ao gênero, e são concorrentes diretas entre 8h30 e 11h50.

O Bom Dia Mulher, apresentado por Ney Gonçalves Dias, Amanda Françozo e Solange Frazão, não chega a dar um mísero ponto de ibope para a Rede TV! – a média fica em 0,7 – , mas compensa com uma enxurrada de propagandas de produtos de beleza, culinária, cama, mesa e banho. Quase os mesmos que desfilam no Dia Dia, da Band. A diferença é que o programa de Olga Bongiovanni é melhor produzido e dá alguns décimos a mais: 1,5 ponto de audiência. Os programas infantis de outros canais, por sua vez, até alcançam um desempenho melhor no ibope. Mas, quando não se limitam a exibir desenhos, custam caro e dão pouco retorno em propaganda.

Na Record, o bem-acabado Eliana Na Fábrica Maluca, por exemplo, vai mal das pernas – só tem uma hora de programação e derrapa em 2 pontinhos. Fica na poeira do extinto Eliana & Alegria que, até o ano passado, ocupava três horas diárias e dava 7 pontos de ibope. Para piorar a situação da loirinha, ela é sucedida pelo Note Anote, que dura quase três horas e levanta a audiência para 4 pontos. Isso, com pouco custo e muito “merchandising”.

O Mais Você, da Globo, por sua vez, ocupa pouco mais de uma hora e dá 10 pontos de ibope – um a mais que seu sucessor, Xuxa No Mundo da Imaginação. O programa que marcou a volta de Xuxa ao público infantil chegou a alcançar surpreendentes 19 pontos logo após a estréia, há um ano, mas em pouco tempo despencou. Agora, a audiência da Globo só volta a dois dígitos quando entram no ar Sítio do Pica-pau Amarelo e TV Globinho. Com 10 e 12 pontos, respectivamente, são os programas infantis mais bem-sucedidos da televisão aberta no momento.

Na verdade, o “remake” do Sítio e os desenhos de TV Globinho não trazem nada de inovador em formato. Só reproduzem fórmulas consagradas. O mesmo acontece no SBT com os clássicos desenhos exibidos no Hora Warner e no Bom Dia & Cia. Este último, apresentado por Jackeline Petkovic, rivaliza com a Globo e, eventualmente, chega a desbancar Xuxa na liderança do horário. Mas parece que essa disputa de ralos pontinhos só evidencia uma coisa: as emissoras não apostam mais no segmento infantil.

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