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‘O cronista é um filtro de tudo o que vemos’, diz Ignácio de Loyola Brandão

Quando Ignácio de Loyola Brandão começou a escrever crônicas no jornal O Estado de S. Paulo, ele já era um escritor reconhecido (Zero, Não Verás País Nenhum) e jornalista com longa experiência. Foi em setembro de 1993, ainda no caderno Cidades, que ele assinou sua primeira crônica: Sim, professores são perigosos. Manteve sua coluna nesta editoria até 2000, quando foi convidado a assumir o espaço de Rachel de Queiroz, que, aos 90, estava se aposentando (ela morreu três anos depois).

Seu primeiro texto no Caderno 2 foi publicado às vésperas do Natal, no dia 22, e se chamou Tantas boas festas, quantas do coração? A vida no interior, momentos de perplexidade, momentos engraçados, viagens. Tudo serve como matéria-prima para este cronista nascido em Araraquara em 13 de julho de 1936 e que acaba de ser eleito imortal da Academia Brasileira de Letras.

Seus textos são publicados quinzenalmente, às sextas, no Caderno 2. Em entrevista recente ao jornal, o autor disse que escreve suas crônicas sempre na terça anterior à publicação, a partir das 5h. “Às vezes, ela não sai. Mas uma hora ela sai”, brincou.

“A crônica é um gênero que me agrada muito porque vou recortando trechos da cidade, fotografando pequenos personagens. Me interessam os anônimos. Gente que encontro nas ruas, nos bares, e, principalmente, na padaria da minha rua. São essas pessoas que me dão os temas de tudo. E o tema, evidentemente, é a situação da cidade, do país – sou eu documentando de que maneira estamos vivendo, como é essa política – essa coisa que nos afaga, nos abafa ou nos sufoca. No fundo, o cronista é um filtro de tudo o que vemos”, disse naquela entrevista sobre os 30 anos do Caderno 2, celebrados em 2016.

Os textos que Loyola Brandão publicou no jornal deram origem a alguns de seus livros publicados pela Global. Entre eles, Se For Para Chorar, Que Seja de Alegria (2016) e O Mel de Ocara – Ler, Viajar, Comer (2015).

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