Quer irritar Ilan Brenman? É só perguntar qual é a próxima historinha dele. “Literatura infantil é coisa muito séria. Eu estudo tanto, circulo tanto, dou meu coração e minha cabeça para fazer chegar um livro maravilhoso à mão da criança. Não me perguntem da minha próxima historinha”, diz o escritor em entrevista ao Estado.
Ilan é autor de cerca de 80 títulos, já vendeu 3 milhões de exemplares e é publicado em países tão diferentes quanto a Espanha e a Coreia do Sul. Quem tem (ou teve nos últimos 20 anos) filho pequeno em casa certamente já leu um livro dele – Até as Princesas Soltam Pum é o best-seller, com cerca de 400 mil exemplares vendidos e traduzido para 12 idiomas.

A literatura infantil é coisa muito séria, ele continua, porque diz respeito à vida da criança e ao seu imaginário. “É o que podemos dar de memória para a vida delas. Podemos realmente mudar a vida dessa garotada com histórias, e isso não é uma balela romântica”, afirma. Mudar para o bem e para o mal – e o politicamente correto é outro tema que irrita o escritor e ele explicará mais adiante.

Aos 46 anos, Ilan Brenman vive possivelmente o melhor momento de sua carreira. É o mais jovem autor a ser convidado pela Moderna, uma das principais editoras do País (sobretudo pela presença em escolas), para ser autor exclusivo da casa – e estará no catálogo da editora ao lado de Ruth Rocha, Eva Furnari, Pedro Bandeira e Walcyr Carrasco.

A Biblioteca Ilan Brenman está sendo inaugurada com 25 títulos, entre reedições revistas pelo autor e pelo ilustrador (quando não foi encomendada uma nova ilustração), e lançamentos. São 20 desta nova leva e 5 que já estavam no catálogo da Moderna. Tudo em capa dura e agora dividido em coleções. No ano que vem, devem sair outros 20. E vai ser assim até o contrato mais recente do autor com alguma editora – ele tinha 15 – expirar.

Os três novos livros de Brenman que estão chegando às livrarias são Refugiados e Famílias, com ilustrações de Guilherme Karsten, dentro da coleção Imagens Que Contam Histórias, e O Cavalo de Troia – A Origem, ilustrado por Raul Guridi e inserido na série Sabedoria Universal. Ilan nunca ilustra seus livros, o que lhe causa alguma frustração. Mas ele diz que quando pensa numa história, imagina o projeto do livro do início ao fim.

Ele considera que este movimento de concentrar sua obra numa única editora vai lhe dar mais tranquilidade para deixar a burocracia para lá e fazer o que realmente importa: escrever, dar palestra, conversar com leitores, pais e professores e seguir contando histórias. Afinal, Ilan Brenman é, antes de tudo, um contador de histórias.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.