É cada vez mais difícil diferenciar onde começam e onde terminam ficção e realidade na tevê. Novelas como Paraíso tropical e Páginas da vida estão recheadas de cenas saídas dos telejornais, enquanto o ?reality show? Big Brother Brasil 7 oferece ficção com aparência de realidade.

 No primeiro caso, a notícia dos telejornais migra com impressionante velocidade para dentro dos folhetins, dramatizando os fatos e conferindo tom de espetáculo às desgraças do dia-a-dia, de ônibus incendiados a balas perdidas. Hoje é rotina e até desejável que as novelas abordem um problema social de alguma natureza. Caso de Paraíso tropical, da Globo, com a glamourosa miséria das prostitutas de Copacabana, ou os inúmeros dramas ?naturalistas? da recém-terminada Páginas da vida. Manoel Carlos, autor da última, empilhou problemas como preconceito a portadores de síndrome de Down, de HIV e jovens com bulimia. O escritor ainda inovou ao acrescentar, no final de cada capítulo, um ?depoimento-verdade?.

Do outro lado do espelho, está o Big Brother, cuja atual versão agora chega ao fim. Há sete anos, o ?reality show? vende a idéia de um laboratório ao vivo de relações pessoais, no qual pessoas teoricamente comuns – e não atores – convivem em um ambiente fechado onde terminam por revelar seu verdadeiro caráter. Nada, porém, é mais distante da realidade. Da escolha dos integrantes da casa – este ano todos foram selecionados pela produção – ao enquadramento das câmaras e edição de imagem, tudo o que é visto pelos telespectadores é cuidadosamente manipulado. Mesmo ao vivo.

 Há uma instantânea adaptação dos candidatos aos personagens – muitas vezes arquétipos, como o galã, a perua, o caipira e outros modelos – que passam a agir dentro de padrões de comportamento mais ou menos esperados.

 A ilusão da realidade em Big Brother e a realidade dramatizada das novelas confunde os gêneros da programação e sugere o aparecimento de uma nova concepção de atrações. O próximo passo pode ser dado através dos telefones celulares, nos quais cada usuário poderá participar de roteiros interativos. Espiar será pouco. No futuro, todo mundo vai estar no BBB.