Terrence Malick trouxe seu grande circo místico ao maior festival de cinema do mundo – finalmente. “A Árvore da Vida” já havia sido uma das atrações anunciadas de Cannes no ano passado, mas ‘Terry’ – como o chamam os integrantes da equipe -, ainda não estava satisfeito com o resultado, leia-se a montagem. Entre os cinco montadores creditados de “The Tree of Life” está o brasileiro Daniel Rezende, que já trabalhou com Fernando Meirelles, em “Cidade de Deus”, e com José Padilha, em “Tropa de Elite 2”.

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Havia uma imensa expectativa em relação ao filme. Ele foi assistido em contemplação, quase como uma experiência espiritualista. No fim, surpreendentemente, vaias. Os aplausos demoraram um pouco e nem foram tão caudalosos. Dizer que o filme é bonito não dá conta de sua complexidade. Trata-se de uma rara experiência audiovisual. As imagens são de cortar o fôlego – imagens da natureza, que tentam tornar palpável o ‘mistério’. De Deus (e da graça). “A Árvore da Vida” acompanha uma família: pai, mãe e três filhos. Brad Pitt e Jessica Chastain formam o casal. Um dos filhos morre logo no começo e lança a mãe num lamento fúnebre que se prolonga por quase um terço da duração de duas horas e 18 minutos.

A mãe se indaga sobre o sentido da sua perda, sobre a crueldade de Deus. O filho revoltado – que vira Sean Penn quando adulto – recusa-se a ser bom porque o próprio Deus não o é. Ele é bem um produto da educação dura demais que recebeu do pai.

Malick não quis contar uma história, no sentido tradicional. Ele tece mais uma sinfonia filosófica. Mas a verdade é que, por mais impressionante que seja “A Árvore da Vida”, a sensação é de um Stanley Kubrick de segunda mão. A relação do macro e do micro universo vem de “2001, Uma Odisseia no Espaço”. Na coletiva do júri, o presidente, Robert De Niro, disse que pretende premiar filmes, não autores. Malick virou mito – e o fato de não ter participado da coletiva (ele é tímido, garante sua produtora) apenas alimenta especulações. Premiado com a Palma de Ouro de melhor diretor no Festival de Cannes em 1978 por “Cinzas no Paraíso”, Malick também dirigiu “Terra de Ninguém” (1973), “Além da Linha Vermelha” (1998) e “O Novo Mundo” (2005). Depois de um grande filme popular (“O Artista”, de Michel Hazanavicius, no domingo), Cannes propôs ontem um grande filme mais ‘artístico’.

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Brad Pitt está encantado com ele. Trabalhar com um diretor tão especial, segundo o marido de Angelina Jolie, cria um padrão de exigência que, ele acha, terá desdobramentos em sua carreira. Por falar em Angelina, ela está em Cannes com o marido – e a trupe que veio apresentar “Kung Fu Panda 2”. A futura Cleópatra aproveitou para anunciar sua estreia na direção, em “In the Land of Blood and Money”, com estreia prevista para dezembro. As informações são do Jornal da Tarde.