Quando o Festival de Curtas começou, há 30 anos, o formato era só o que restava num cinema brasileiro devastado pela desativação da Embrafilme. E não que fosse pouca coisa – o curta sempre foi um território de experimentação e como diz a criadora e diretora do evento, Zita Carvalhosa, “quase todos os grandes que estão fazendo hoje esses longas que ganham projeção em todo o mundo já passaram aqui pela gente”. Nos seus 30 anos bem vividos, o Festival de Curtas, que começa nesta quinta, 22, tem muito o que celebrar.

Num ano de crise, em que tantos eventos de cinema tiveram de se adaptar a novas realidades de (des)patrocínio, Zita Carvalhosa lembra que já viveu esse choque há dois anos, e sobreviveu. Não teve de diminuir o tamanho do festival deste ano, e essa já é uma grande vitória. O festival comemora os 30 anos de Ilha das Flores, o clássico de Jorge Furtado que, independentemente de formato – ou duração -, é um dos maiores filmes da história do cinema no Brasil.

O festival também celebra os 60 anos das relações entre Brasil e Coreia com uma seleção de curtas do celebrado autor Bong Joon-ho. E ainda apresenta um programa canadense que celebra o ano internacional das línguas indígenas.

Zita Carvalhosa observa: “Quando começamos, a exibição dos filmes era feita a partir de fitas em VHS que chegavam pelos Correios, das mais variadas partes do mundo. As mudanças não foram apenas tecnológicas. Hoje em dia, muito mais mulheres, e também negros e indígenas, assinam a direção dos curtas, espelhando uma diversidade que não é só importante, como necessária”. Até 1.º de setembro, em sete espaços – e de graça – o festival vai apresentar 324 filmes de 53 países, mais quatro games.

A tentação de apontar os programas imersivos, que ganham espaço exclusivo na Cinemateca Brasileira, como a maior novidade desta edição é grande, mas cabe destacar que, em 30 anos, é a primeira vez que o festival abriga uma mostra competitiva – de filmes brasileiros, com 14 títulos.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.