Como aconteceu em Florianópolis, o segundo show da turnê brasileira de Amy Winehouse, no Rio, que tinha tudo para ser acachapante, deixou no público uma sensação de frustração. Não completa, já que o desejo de assistir ao vivo uma das maiores sensações da música surgidas na última década, cuja sobrevivência parecia ameaçada por conta dos anos de excessos, estava concretizada. Mas no rosto de quem pagou caro pelo ingresso e ainda venceu entre uma e duas horas de engarrafamento até a distante Arena, a expressão, ao fim de breves 57 minutos de Amy, era de “é só isso mesmo?”

A engenheira Raquel Pimenta, de 32 anos, repetia a frase ao marido, inconformada com o acender das luzes às 23h30 – a apresentação havia começado às 22h33, 33 minutos depois do marcado. “Ela não vai voltar nem para dar um tchau? É assim que acaba o show da Amy, sem a Amy?”, dizia. Raquel se referia ao fato de a banda ter seguido depois de a cantora sair de cena com “Me and Mr Jones”.

Ainda assim, dada a voz especialíssima em questão, valeu a pena. Para Raquel e para as cerca de 15 mil pessoas que acolheram com entusiasmo uma Amy que parecia não se sentir preparada para a missão. A abertura foi retumbante, com três hits certeiros do CD “Back to Black” (2006): “Just Friends”, “Back to Black” e “Tears Dry on Their Own”. O set list seguiu como o de Florianópolis: o cover de “Boulevard of Broken Dreams”, seguido de “Outside Looking in”. Amy se retira e o vocalista Zalon Thompson assume o centro do palco.

A plateia cantava, gritava, pedia por Amy. Os fãs gritavam “u-hu!” quando ela bebia o conteúdo de uma caneca alta, que parecia ter apenas um líquido para fazer gargarejo e acalmar a garganta. “Caipirinha!”, alguns berraram. E mais ainda quando, depois de cantar “Rehab”, e em meio a “You Know I’m no Good”, Amy virou uma Skol Long Neck inteira, como se confirmasse os versos das duas músicas.

Mas por que cantar apenas 15 músicas, quando poderia ter explorado mais os repertórios dos dois ótimos CDs, e ainda feito mais covers? (o de “It’s My Party”, lançado no fim do ano passado, era esperado). Era o que se perguntava a recifense Ana Lessa, de 40 anos, que preferiu ver o show da Arena porque acreditava que as condições no Rio seriam melhores (Amy canta no Recife amanhã e em São Paulo, sábado). “Ela pode ser mau exemplo para adolescentes, mas é demais”, dizia, ao lado do filho, de 19 anos. O clima não chegava a ser de “quero meu dinheiro de volta” – estava mais para “foi bom o pouco que durou”.

Apesar de ter sorrido (em especial no bis, numa arrebatadora “Valerie”), Amy delegou a função de interagir com os presentes a Zalon. À exceção de um “muito obrigada” e de uma repreensão quando os aplausos à sua banda lhe pareceram insuficientes. “Façam barulho!”, pediu, durante a longa apresentação dos músicos, que tinham a função extra de se manterem atentos a qualquer passo em falso da patroa. As informações são do Jornal da Tarde.