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Niemeyer, Leonilson e Elomar reunidos em sites e mostras

Jorge Andrade, Oscar Niemeyer, Elomar, Flávio Império, Leonilson. Em comum, o fato de serem grandes artistas. Mas não só. Em 2014, todos eles estarão mais próximos do público: seus acervos são a base de exposições, filmes e sites a serem lançados em breve. Flávio Império deve ganhar, a partir de janeiro, um site que detalha sua atuação como artista plástico, cenógrafo e arquiteto. Em julho, Niemeyer merece uma mostra, em São Paulo e no Rio, que revê sua trajetória e pretende revelar alguns projetos inéditos do arquiteto. Também no primeiro semestre, Leonilson será tema de um curta e de um longa metragem, ambos dirigidos por Carlos Nader.

Outro dado une essas coleções. Como ainda acontece com boa parte do legado de criadores brasileiros, elas não estão sob a guarda de instituições, mas das respectivas famílias, que criam institutos, fundações e sociedades de amigos para auxiliá-los nessa jornada pela preservação. “É a família que acaba bancando a maior parte das ações de preservação”, diz Ana Lenice Dias, presidente do Projeto Leonilson e irmã do artista. “Tentamos várias vezes doar o acervo, mas os museus só querem ficar com as obras. Não aceitam os móveis, os objetos, as coisas que ele deixou. Por isso, optamos por manter tudo conosco.”

Sem uma política de aquisição do acervo, o Itaú Cultural passou a financiar alguns desses projetos de preservação que acontecem de maneira independente. “Tentamos preservar a autonomia desses projetos”, diz Eduardo Saron, superintendente da entidade. “Oferecemos recursos e o nosso know how para que eles caminhem de forma independente.”

A 20 quilômetros de Vitória da Conquista (BA), uma fazenda guarda um pedaço da memória da música brasileira. Na Casa dos Carneiros, Elomar concilia o cuidado dos animais com a composição de canções. E, recentemente, passou também a receber os pesquisadores que irão transformar parte da propriedade em um centro de memória aberto a visitantes e pesquisadores. O trabalho é conduzido por profissionais da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Além disso, também estão sendo preparadas, para 2015, uma exposição do acervo e um show do artista no Auditório Ibirapuera. “Sabíamos que Elomar estava em busca de uma instituição que o apoiasse. Então, fomos atrás dele”, conta Saron. “Ele disse que para aceitar a parceria precisava primeiro me olhar no olho. Precisamos criar um vínculo de confiança antes de começar.”

A expertise conquistada ao longo dos anos com a enciclopédia digital mantida pelo Itaú Cultural é uma das bases dos trabalhos de organização e catalogação de parcela considerável dessas coleções. “Ao invés de começar do zero, antes de catalogar procuramos sempre entender qual lógica que já era aplicada pelo artista ou pela sua família”, comenta Tânia Rodrigues, gerente das enciclopédias.

As criações de Vilanova Artigas, Jorge Mautner, Sérgio Rodrigues e Regina Silveira devem ser os próximos alvos de ações de organização e digitalização de acervos. “Além de financiar, contratamos os profissionais e supervisionamos o trabalho”, observa Tânia. “Outro passo importante é dar instruções de conservação para as famílias. Usar caixas de plástico e não de papelão. Não dobrar páginas ou usar grampeador. Dicas simples, mas que ajudam.”

Depois da morte de Jorge Andrade, os manuscritos de suas obras, além de documentos, fotografias e periódicos, permaneceram na casa de parentes. Até que Blandina, filha do artista, resolveu começar uma peregrinação por instituições que pudessem receber o conjunto. “As coisas estavam começando a se perder”, conta ela. “Recebemos muitas negativas antes de conseguir um local.” Foi no Centro Cultural São Paulo que o acervo conseguiu uma casa. As ações de digitalização e organização do material já estão em andamento. Uma sala climatizada deve guardar a documentação, que inclui mais de 16 mil páginas com roteiros das novelas que ele escreveu. “E, como começamos a mexer na coleção, coisas desconhecidas acabaram aparecendo”, comenta Blandina. Um livro com cinco peças de Jorge Andrade, nunca antes editado, foi descoberto e acabou virando e-book. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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