Lucas Sarzi

O musical que conta a história de Cazuza (1958-1990) chega hoje a Curitiba para uma curta temporada no Teatro Guaíra, com apresentações neste sábado (31), às 21h15, e no domingo (1º), às 19h.

Com texto de Aloísio de Abreu, “Cazuza Pro Dia Nascer Feliz, o Musical” reúne alguns dos maiores clássicos de Cazuza em carreira solo e também no Barão Vermelho.

O espetáculo, que é dirigido por João Fonseca e protagonizado por Emílio Dantas, conta de forma ágil a curta história, mas muito intensa, do cantor que é considerado ícone de uma geração.

O musical passa por momentos de virada na carreira e na vida de Cazuza, como a descoberta do teatro e do gosto pelo rock, até o momento em que resolve cantar e montar uma banda, se profissionalizar e estourar nas paradas nacionais.

Mas também traz momentos de estouro, brigas e mudanças repentinas no estilo e a descoberta de uma doença fatal que tiraria sua vida em pouco tempo. O protagonista Emilio Dantas conta que a preparação foi basicamente uma intensa troca com Lucinha, mãe de Cazuza.

“Fiquei muito próximo a ela e também tive muitos papos com a galera que o conheceu, muita gente me ajudou e participou ativamente na criação do personagem, mas só acreditei que estava perto de ser parecido quando a própria mãe dele me disse que acreditava no Cazuza que eu estava fazendo”, disse.

Além disso, o ator contou que a internet o ajudou bastante a criar o personagem. “Ouvi muita música, vi entrevistas, shows na íntegra”, disse. Para se tornar Cazuza, Emilio precisou emagrecer cinco quilos.

“Estava disposto até a perder mais, mas chegamos ao consenso de que não seria necessário, porque há toda a fase dele saudável. Então, para representar a doença, vamos usar uma energia física mais baixa, maquiagem, luz e figurino”, explica.

No palco, o ator é considerado um dos interpretes que mais se aproximou ao estilo do cantor, tanto em trejeitos, quanto na voz. “Todos comentam que existe um timbre parecido, mas essa era mesmo a minha função, tornar a interpretação o mais próximo possível, com as nuances e o jeito de falar bem específico que, como carioca, ele tinha”, revelou.

O ator disse que, em alguns momentos, até acredita que consegue chegar perto de ser o que a crítica fala. “Tem hora que eu estou no palco, ouço e penso que chego muito perto, mas quando ouço as musicas no radio, vejo que estou longe”.

Para Emilio, a música que mais o emociona cantar no palco é “Brasil”. “Não preciso nem explicar o motivo, mas pra mim é uma musica que deveria ser o hino do nosso país”, considerou.

O cenário do espetáculo foi pensado de forma simples, mas traz elementos fundamentais para caracterizar o universo de Cazuza. “O espaço é a representação do Arpoador, um dos lugares preferidos do cantor. O único elemento fixo é uma mesa que se desdobra em diversas representações: bar, o quarto onde ele compunha (sempre usando uma máquina de escrever), hospital, e por aí vai…”, conta o cenógrafo Nello Marrese.

Estão presentes sucessos como “Pro Dia Nascer Feliz” e “Codinome Beija Flor”, “Bete Balanço”, “Ideologia”, “O Tempo não para”, “Exagerado”, “Brasil”, “Preciso dizer que te amo”, “Faz parte do meu show”, e algumas das músicas emocionam o público. Além disso, o espetáculo também traz no roteiro composições de Cazuza que ele nunca chegou a gravar, como “Malandragem”.