tv41.jpgFazer o protagonista de uma novela é o sonho de nove entre dez atores. Na maioria dos casos, interpretar o papel principal de um folhetim é sinônimo de prestígio, reconhecimento, independência financeira, entre outros benefícios. Mas, às vezes, o sonho de encabeçar um elenco pode se transformar também em pesadelo. Na Globo, jovens protagonistas, como Alinne Moraes e Giselle Itié, de Como Uma Onda e Começar de Novo, respectivamente, sofrem com as baixas audiências de suas novelas. Já no SBT, Bianca Castanho e Cláudio Lins, o par romântico de Esmeralda, penam para dar conta das quase 30 cenas que têm de gravar por dia.

A atriz Alinne Moraes, por exemplo, tem apenas três anos de carreira. Mas isso não a deixou temerosa em aceitar o convite para protagonizar a atual novela das seis, Como Uma Onda, de Walter Negrão. Para tanto, deixou até o elenco de América, a próxima novela das oito, para a qual já estava escalada. "Já me disseram que o sucesso de uma novela depende de seus protagonistas. Não acho que seja bem assim. Uma história não flui sem a outra. Não quero carregar esse peso nas costas", esquiva-se ela.

Na audiência, a trama de Walter Negrão está mais para marola do que para tsunami: Como Uma Onda está amealhando apenas 25 pontos de média. Outra novela que periga morrer na praia é Começar de Novo, de Antônio Calmon. A trama já fez jus ao nome ao escalar Carolina Ferraz para ocupar o posto de namorada do personagem de Marcos Paulo, que antes pertencia a Giselle Itié. A moça foi apontada como o principal motivo da derrocada de Começar de Novo, que patina nos 28 pontos. Sua antecessora, Da Cor do Pecado, chegava a 43. "Não sou culpada de nada. Fiz o que o texto pedia. Em nenhum momento, autor ou diretor me disseram que eu estava no caminho errado", defende-se.

Sofrimento

No SBT, Bianca Castanho e Cláudio Lins não sofrem cobranças por ibope. Atualmente, Esmeralda tem obtido os costumeiros 13 pontos. Na emissora de Sílvio Santos, o sofrimento é outro. É físico mesmo. "Tenho gravado muito. Além do normal", choraminga Cláudio Lins. O ritmo intenso de gravações já virou até motivo de piada nos bastidores. Outro dia, alguns atores brincaram entre si: "E aí, quantas cenas você tem hoje?", perguntou um. "Ah, hoje só gravo umas 20…", respondeu outro. Na verdade, o número de cenas oscila entre 35 e 40 por dia.

Hoje na Record, Bianca Rinaldi sabe do que Cláudio Lins está falando. Afinal, ela já protagonizou Pícara Sonhadora e A Pequena Travessa no SBT. "O ritmo de gravações lá é quase desumano. Felizmente, a Record trata seus contratados com mais carinho e consideração", compara. Para agüentar o rojão, Bianca Castanho não sai de casa sem antes tomar um coquetel com vitamina C, própolis e geléia real. Desde que estreou a novela, ela já baixou enfermaria com gripe e infecção intestinal. "É por causa da cobrança que faço sobre mim mesma. Isso acaba se refletindo no meu corpo", diagnostica.

Louco assédio

Além da baixa audiência e do ritmo insano de gravações, alguns protagonistas estranham também o assédio do público. Priscila Fantin que o diga. Quando estrelou Malhação, quase desistiu da carreira por causa da abordagem quase histérica dos fãs do "folheteen". "Fiquei assustada quando entrei num shopping e as pessoas voaram em cima de mim", relembra.

Percalços à parte, o show tem de continuar. Por isso mesmo, o diretor Roberto Talma, escaldado com o fiasco de Começar de Novo, custou a fechar o trio de protagonistas de A Lua Me Disse. Na dúvida, optou por um dos pares românticos de Kubanacan, Marcos Pasquim e Adriana Esteves. E mais: promoveu Wagner Moura, que nunca fez novelas na vida, ao posto de protagonista. "Não foi o fato de protagonizar e sim a chance de exercitar outra faceta do meu trabalho o que mais chamou a minha atenção. Embora a novela seja cômica, meu personagem não é. É um sujeito angustiado que se apaixonou pela própria cunhada", adianta. Mais um sonho, ou um pesadelo, está prestes a começar…

Ambição sem limites

Protagonizar novelas é bom, mas interpretar o tão cobiçado papel principal de uma novela da Globo é melhor. Afinal, a emissora de maior audiência do País dá uma visibilidade que nenhuma outra dá. Apesar de feliz com o trabalho em A Escrava Isaura, sua terceira protagonista, Bianca Rinaldi admite que gostaria de, um dia, protagonizar uma novela na emissora onde começou, há oito anos, em Malhação. "Sonhar não custa nada. Procuro sempre pensar grande", garante.

A exemplo de Bianca Rinaldi, outra Bianca, a Castanho, também já protagonizou duas novelas no SBT. Antes de Esmeralda, ela encabeçou também o elenco de Canavial de Paixões. Na Globo, fez Terra Nostra, Malhação e O Beijo do Vampiro. "Gosto muito de focar o momento presente. E o meu presente é esse, que eu tenho de me dedicar ao máximo", desconversa a atriz.

Mas nenhuma outra atriz chama tanto a atenção quanto Carla Regina. Protagonista em três diferentes emissoras, ela só não consegue melhores oportunidades de trabalho na Globo. Logo no início de carreira, em 1997, debutou em Mandacaru, na extinta Manchete. Dois anos depois, seu nome abriu os créditos de Marcas da Paixão, na Record. Recentemente, viveu a personagem principal de Seus Olhos, no SBT. "Tudo tem a sua hora", limita-se a dizer, esbanjando autoconfiança.