Luiza Dantas/Carta Z Notícias
Arnaldo Duran:?Sou uma pessoa irrequieta?.

Arnaldo Duran não disfarça a ansiedade. Convidado para trabalhar na Record, o jornalista está de malas prontas para embarcar do Rio de Janeiro para São Paulo, onde vai assumir o cargo de repórter especial. Atualmente de férias da Globo onde cumpre contrato até o próximo dia 30 de setembro, Duran adianta que, além das reportagens, ficará responsável pela apresentação de um telejornal, provavelmente a edição de sábado do Jornal da Record. Aos 54 anos de idade e 36 de profissão, esse paulista de Tupã – que já trabalhou como correspondente do SBT em Nova York – espera manter contato com o ?universo? do samba e do Carnaval carioca, como acontecia nos últimos anos nas matérias para o Jornal Hoje e o Globo Comunidade, da Globo. ?Apesar de ficar em São Paulo, nada impede que eu me desloque para o Rio, já que semanalmente estarei na cidade para visitar a família?, avisa.

– Após seis anos na Globo, o que o motivou a ir para a Record?

– Resolvi aceitar o convite por ser uma pessoa irrequieta, que não consegue ficar parada num mesmo lugar por muito tempo. Na minha ida para a Record vislumbrei a possibilidade de crescimento profissional, do mesmo modo que aconteceu das outras vezes em que troquei de emissora. Também pesou o fato de possivelmente apresentar o Jornal da Record aos sábados. Acho instigante a apresentação de um telejornal. Além disso, não vou estar na escala do dia-a-dia, nem fazer plantão na reportagem nos finais de semana. Vou para Record para fazer matérias especiais sobre comportamento, que é minha praia…

– Durante os seis anos de Globo, você cobriu de perto o Carnaval carioca. Pensa em fazer o mesmo na Record?

– A Record atualmente não tem o direito de transmissão do Carnaval, mas podemos adquirir. Nada impede que isso aconteça e torço muito. Mesmo sem o direito de entrar na avenida, podemos ficar na concentração, o que rende um bom material, pois é lá que sempre estão as boas histórias, já que é onde está o povo. Se a Record quiser, basta me chamar que faço sem pestanejar.

– A Record é ligada à Igreja Universal. Você acredita que a emissora transmitiria o Carnaval, uma festa considerada profana?

R – Sem dúvida. Quando me chamaram para trabalhar, não perguntaram minha religião. Apenas tratamos de assuntos profissionais e não pessoais. Além disso, uma emissora que se propõe a chegar ao primeiro lugar na audiência, não deve se preocupar com questões religiosas e deixar de mostrar um acontecimento como o Carnaval, uma festa popular que todo brasileiro adora. Mas não vou para a Record apenas para cobrir o Carnaval. Um dos motivos que me fez aceitar o convite também foi a possibilidade de apresentar um programa meu em 2007. Nas conversas que tive com o Douglas Tavolare, diretor de Jornalismo, ele me falou sobre isso, embora não tenha adiantado nada. Espero que realmente aconteça.

P – Que tipo de programa gostaria de apresentar?

– Um programa de entrevistas com pessoas ligadas à MPB e que mostrasse as raízes da nossa música, mas sem esquecer, é claro, do ?universo? do samba, que passei a ser um grande e confesso admirador. Faria um programa em que misturasse música e jornalismo, entretenimento e informação. Ficaria muito feliz se a idéia fosse aceita pela direção da Record.

– Você só estréia na Record no dia 1.º de outubro e atualmente ainda tem contrato com a Globo. Mesmo assim, você não está no ar. Houve alguma ?saia- justa? com a sua saída?

– Não, de forma alguma. Por questões trabalhistas, eles me deram férias, mas se a Globo quiser, volto ao ar até meu contrato terminar. Aliás, não saio da emissora brigado com ninguém. Ao contrário: fiz muitos amigos e só tenho a agradecer os seis anos em que fiquei lá.