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Mostra de Tiradentes chega com o melhor do evento mineiro

  • Por Estadão Conteúdo

Pelo sétimo ano consecutivo, a Mostra de Tiradentes desembarca em São Paulo, e sempre no mesmo endereço. O CineSesc, na Rua Augusta, virou a morada paulistana da grande vitrine da produção autoral e independente do cinema brasileiro, pois, dentro da Mostra de Tiradentes, está incrustada a Mostra Aurora. A abertura será nesta quinta, 28, às 20 h, com a performance audiovisual Corpos Adiante, que define a programação e o tema central dessa edição.

Na sequência, será apresentado o vencedor da Aurora deste ano – Vermelha, de Getúlio Ribeiro, de Goiás, seguido de bate-papo entre o diretor e a curadora da mostra, Lila Foster. Os ingressos gratuitos poderão ser retirados 1h30 antes para associados do Sesc e, a partir das 19 h, pelo público em geral. A mostra homenageia a atriz Luciana Paes, da Companhia Hiato.

Tem tudo a ver com Corpos Adiante, porque, na Hiato, a experiência do ator é matéria-prima na composição da dramaturgia e das personagens. Sinfonia da Necrópole, de Juliana Rojas; O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida – bastam essas duas interpretações para dar a medida da intensidade cênica de Luciana. Sua cena de sexo no segundo já nasceu antológica.

De amanhã até 3 de abril, durante uma semana, a 7ª Mostra Tiradentes SP propõe uma verdadeira maratona para os cinéfilos. Serão 35 filmes – 13 longas, um média e 21 curtas -, 19 sessões de cinema, dez encontros com realizadores, uma oficina e um debate conceitual. A mostra em São Paulo exibe a íntegra da Mostra Aurora, a mais importante de Tiradentes, e uma seleção de destaques da 22ª edição do evento. A coordenadora Raquel Hallak vê, na iniciativa conjunta com o Sesc, a criação de um espaço de vanguarda para discutir a criação de outros universos possíveis pelo cinema brasileiro, “uma celebração dos corpos que produzem nossas imagens e os dos que as aplaudem”.

No catálogo, o coordenador geral (de curadoria), Cléber Eduardo, afirma: “Em um mundo onde corpos expostos em quadros ou em performances são julgados, punidos e perseguidos pela sociedade civil e pelas forças oficiais, alguns corpos precisam se impor como estratégia de sobrevivência e de reafirmação da diferença”. Dentro desse quadro, a própria escolha do tema Corpos Adiante equivale a uma afirmação estética e política na Mostra de Tiradentes.

Vencedor da Mostra Aurora, Vermelha deve provocar estranhamento pela formas como o diretor goiano Getúlio Ribeiro subverte expectativas – e a linearidade – na história dos dois homens que buscam uma raiz rara e a confusão causada quando Beto ajuda Gaúcho a reformar o telhado de sua casa, e esse último está na mira do fornecedor que cobra dívidas em atraso. A definição “humor surreal” ajuda a introduzir as duas ações que parecem desconexas – o que o telhado tem a ver com a raiz da árvore atingida por um raio? Ribeiro está querendo refletir o Brasil, partindo do princípio de que só o absurdo nos define.

As mulheres e a Aurora dialogam, completam-se. A mostra desse ano outorgou seu destaque feminino à montadora Cristina Amaral, de Um Filme de Verão, de Jô Serfaty. Quatro jovens no Rio 40 graus. Um calor infernal e a busca de alternativas – para o estudo, o lazer, o prazer.

E a Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro. É o nome da ousadia. Depois de Lembro Mais dos Corvos, Vinagre radicaliza e faz o filme mais na contracorrente da nova hierarquia religiosa atual. Documentário sobre um personagem que criou uma ficção de si mesmo, segue as elucubrações de Marcelo Diório, fascinado pelo poeta alemão Novalis e sua rosa azul que representava o romantismo. Se Deus está em toda parte, por que não no ânus? Parece blasfemo. É uma deslumbrante obra de arte.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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