Uma seleção de 88 fotos feitas pelo fotógrafo peruano Martín Chambi (1891-1973) pode ser vista a partir de hoje no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, na exposição O poeta da luz.

Pela primeira vez na capital, a exposição mostra parte de um acervo de 30 mil imagens feitas pelo fotógrafo ao longo de sua vida. Na exposição estão retratados aspectos históricos e turísticos do país -como o retrato de paisagens, o povo indígena e arquiteturas Incas -, bem como de familiares de Chambi, citado como um dos fotógrafos mais expressivos do Peru.

Ao entrar na galeria onde acontece a exposição já é possível perceber as características das obras de Chambi. Através de uma Isa, máquina fotográfica utilizada por ele, o peruano retratava o enquadramento perfeito, conforme explica Téo Chambi, neto do fotógrafo.

“Ele retratava as imagens para ele. Por isso todas as suas fotos eram consideradas perfeitas. Mas ao logo do tempo ele começou a ser conhecido e admirado por outros fotógrafos, que começaram a se inspirar no estilo criado por Chambi”, conta.

Em suas fotos, Chambi criou uma identidade de composições e enquadramentos. Além de aliar preto e branco com tons de cinza, sépia, bege, vermelho e azul. “O estilo serviu de inspiração para o diretor Walter Salles (Diários de motocicleta) e para o fotógrafo Sebastião Salgado, amigo intimo da nossa família”, ressalta o neto.

Dentre as 88 imagens expostas, Téo destaca um autoretrato de Martín Chambi como a mais significativa. “Trata-se de uma foto incrível que demonstra a essência do positivo e negativo. O autoretrato aparece na fotografia como um espelho de Chambi”, interpreta.

A curadora da exposição, a argentina Leila Makarius, conta que as pessoas que visitarem a exposição O poeta da luz “poderão absorver um pouco de cada momento da carreira de Chambi. Foi difícil selecionar apenas algumas fotos de um universo tão grande, mas quem vier conhecerá muito sobre Chambi”, confessa.

De origem indígena, Martín Chambi revelou, através das fotos, os segredos mais íntimos da vida andina sem desrespeitá-la. Ao mesmo tempo em que fotografava para importantes revistas, todos reconheciam o caráter artístico e etnográfico de seu trabalho.

Aqueles que ficaram interessados em conhecer o trabalho feito por Chambi poderão também relacioná-lo com o passado de Curitiba. “Tendo como base a experiência vivida em exposições anteriores pelo Brasil, acredito que o público de Curitiba poderá conhecer e respirar os costumes antigos do Peru com essa exposição. Outro ponto que destaco é a similaridade dos costumes antigos dos peruanos com os brasileiros. Estou certo que o público vai saber apreciar e relacionar o histórico dos dois países”, estima Téo.

Serviço

A exposição O poeta da luz, de Martín Chambi acontece até o dia 1.º de agosto, no Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999), sempre de terça a domingo, das 10h às 18h. A entrada custa R$ 4,00. A entrada é gratuita para grupos agendados da rede pública, do ensino médio e fundamental, para estudantes até 12 anos, maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês.