É quase meia-noite quando a neve acumulada nos trilhos interrompe a jornada do Expresso do Oriente, o mais luxuoso trem de passageiros do mundo, que liga a Ásia à Europa. A bordo, um assassinato. A bordo, também, o mais importante detetive do mundo – Hercule Poirot, a quem caberá decifrar o mistério. Quem matou, e por quê? São 12 suspeitos e a solução não será aquela a que o leitor está acostumado.

Após a Bíblia e Shakespeare, Agatha Christie segue sendo a autora mais editada do mundo. Agatha morreu em janeiro de 1976, aclamada como a dama do mistério. Nesses 42 anos, o mundo mudou muito. Em tempos de internet e redes sociais, nada mais antiquado do que o método dos detetives de Agatha Christie. Hercule Poirot e Miss Marple não correm procurando pistas. Pensam. E assim resolvem os mistérios.

Whodunit. Quem matou? Miss Marple é ainda mais radical. Vê o mundo do ângulo de sua aldeia. Olhar o mundo ao redor lhe permite decifrar a natureza humana – não importa onde. A fórmula do crime no Expresso do Oriente é a do “locked room”, o quarto fechado. O vagão do trem. O próprio trem é quase obsoleto na era dos jatos. O que permanece é o mistério da escrita. Continua sendo muito bom ler Agatha Christie.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.